Silvana Creste, vice-diretora do Centro de Cana do IAC, no VIII Encontro Cana Substantivo Feminino

Silvana Creste, vice-diretora do Centro de Cana do IAC, no VIII Encontro Cana Substantivo Feminino

Evento aborda o papel da mulher no desenvolvimento científico do setor

Renato Anselmi

A participação feminina na área de pesquisa e desenvolvimento com foco na produção agrícola é um dos temas do VIII Encontro Cana Substantivo Feminino, que acontecerá em 21 de março no Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto, SP. Para debater esse assunto no painel “As Mulheres e a Ciência”, estará presente a engenheira agrônoma Silvana Aparecida Creste Dias de Souza, que é uma das expoentes da pesquisa com biotecnologia em cana-de-açúcar.

Vice-diretora do Centro de Cana do IAC desde 2016, ela é graduada pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp Botucatu e possui mestrado em Ciências Biológicas pela mesma universidade. Além disso, fez doutorado em Genética pela Esalq/USP e pós-doutorado em Biologia Molecular no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP.

A trajetória profissional de sucesso de Silvana Creste começou em 2005, quando ingressou no Instituto Agronômico. Ela implantou, juntamente com a pesquisadora cientifica Luciana Rossini, a área de biotecnologia do IAC, que desempenha um papel estratégico para a cultura de cana e, consequentemente, para o setor sucroenergético.

Uma das grandes conquistas deste trabalho, iniciado em uma pequena sala do Instituto Agronômico foi a implantação do laboratório de pesquisa – inaugurado em 2010 –, que teve várias ampliações até ocupar uma área de 1.200 metros quadrados, tornando-se inclusive o maior do mundo em cana-de-açúcar no setor público. Em 2014, por exemplo, houve a inauguração da Biofábrica e da área de Fitopatologia e Plantas Transgênicas.

A área de biotecnologia realiza trabalhos voltados ao melhoramento genético da cana para o desenvolvimento de variedades que atendam necessidades específicas do setor de cana, como tolerância à seca, resistência a doenças e aumento da produtividade, afirma Silvana Creste, que é também diretora da Unidade Laboratorial de Referência do IAC, que realiza estudos e presta serviços em biologia molecular.

Um trabalho importante e estratégico, desenvolvido pelo setor de biotecnologia do Instituto Agronômico é o “Tecnologia Invicta” voltado à geração de materiais – espécie de “sementes” – que são utilizados no processo de desenvolvimento e multiplicação de mudas sadias em viveiros.

Usadas no programa Mudas Pré-Brotadas (MPB), as plantas geradas nesse sistema têm alto valor agregado nos aspectos de genética e fitossanidade – destaca Silvana Creste –, alcançando produtividade entre 160 a 200 toneladas por hectare (TCH) em viveiros de multiplicação.

“Essas mudas estão revolucionando o setor”, enfatiza. Com produtividade acima de três dígitos, a cana – proveniente da “Invicta” – deverá ter uma longevidade em torno de 12 cortes, prevê a engenheira agrônoma.

Outros trabalhos importantes, coordenados por Silvana Creste, estão relacionados à realização de pesquisas para a viabilização de materiais, que apresentem elevada performance na produção de etanol de segunda geração. 
Com a utilização de recursos da transgenia, pesquisas nessa área têm a finalidade de melhorar genes chaves visando a obtenção de bons resultados na degradação na biomassa. Algumas variedades, que resultaram em patentes, já estão sendo testadas em campo pela GranBio, parceira do IAC no projeto.

De maneira geral, Silvana Creste avalia que a participação feminina na área de pesquisa e desenvolvimento – com foco no setor sucroenergético – tem sido importante. “A mulher costuma entregar resultados bastante positivos”, enfatiza. Segundo ela, a presença feminina nas pesquisas de melhoramento genético é crescente e tem, atualmente, muito respaldo.

Apesar da menor discriminação em relação a unidades e grupos sucroenergéticos, o trabalho da mulher em universidades e outras empresas também não está isento de preconceitos e restrições. A própria Silvana Creste já foi impedida, antes de ingressar no IAC, de participar de um processo seletivo de uma instituição de ensino superior, que estava contratando um profissional para uma fundação, pelo fato de ‘ser mulher’. “A universidade queria um engenheiro agrônomo, do sexo masculino”, conta ela, que ficou decepcionada com o episódio.

Outras experiências de atividades de mulheres na agroindústria canavieira, as soluções apresentadas por elas para o desenvolvimento sustentável do setor e ações voltadas ao aumento da presença feminina na cadeia produtiva sucroenergética serão debatidas no VIII Encontro Cana Substantivo Feminino.
A inscrição tem o valor simbólico de R$ 50,00 e a renda total será destinada ao Hospital de Amor de Barretos e para a Acesa Capuava - Associação Cultural Educacional Social e Assistencial Capuava – que atende pessoal com autismo.
Além do acesso aos debates e ao test-drive com máquinas agrícolas, a inscrição dá o direito ao café de boas-vindas, brunch, coquetel de confraternização e sacola oficial do evento recheada de mimos.

Para se inscrever basta enviar um e-mail para luciana@canaonline.com.br
E informar nome, empresa, função e fone. Confira a pré-programação do evento no site www.canasubstantivofeminino.com.br .

Fonte: Cana Substantivo Feminino