Sorgo avança no Brasil e ganha espaço na safrinha
01-04-2026
Cultura cresce como alternativa ao milho e reduz risco climático
Andréia Vital
O sorgo vem ampliando sua presença no sistema produtivo brasileiro e se consolidando como alternativa ao milho na segunda safra, especialmente em regiões de maior risco climático. Segundo o relatório Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA, a cultura combina menor exigência hídrica, maior rusticidade e custos mais baixos, fatores que têm impulsionado sua adoção pelos produtores.
A produção nacional deve alcançar 6,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, mais que o dobro do volume registrado há cinco anos, refletindo o avanço da cultura em áreas do Cerrado e em estados como Goiás, Minas Gerais e Bahia.
No campo econômico, o sorgo se destaca pelo menor investimento inicial. Em Goiás, o custo de produção gira em torno de R$ 2.205 por hectare, contra R$ 3.650 do milho, uma diferença de 65%. O ponto de equilíbrio também é mais baixo, de 47 sacas por hectare, ante 59 sacas do milho, o que favorece o cereal em cenários de maior risco produtivo.
A eficiência hídrica reforça essa vantagem. O sorgo completa seu ciclo com cerca de 350 mm de água, frente a aproximadamente 600 mm exigidos pelo milho, o que amplia sua viabilidade em regiões com restrição de chuvas.
No setor energético, o relatório aponta que o sorgo também ganha espaço como matéria-prima para etanol. Inicialmente, a variedade sacarina foi estudada por ter características semelhantes às da cana-de-açúcar, com colmos ricos em sacarose. Atualmente, porém, o sorgo granífero concentra os avanços industriais, impulsionado pelo teor de amido e pela maior flexibilidade de uso nas usinas.
A demanda também tem sustentado o crescimento. O uso em ração animal segue como principal destino, mas há avanço no setor de biocombustíveis, com usinas de etanol de milho incorporando o sorgo como matéria-prima. Além disso, a abertura do mercado chinês cria novas oportunidades de exportação e diversificação de receitas.
Apesar do menor potencial de receita por hectare, o cereal ganha espaço em janelas tardias de plantio, quando o risco climático limita o desempenho do milho. Nesses casos, a decisão deixa de priorizar a rentabilidade máxima e passa a focar na preservação de margem e redução de perdas.
A tendência, segundo o banco, é de expansão gradual da cultura, com o sorgo assumindo papel complementar ao milho e ganhando relevância na gestão de risco das propriedades agrícolas.

