Usina hoje vende energia em vez de produzir etanolvoltar

Publicado em : 06/11/2017
Usina hoje vende energia em vez de produzir etanol
Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini, O Estado de S. Paulo 06 Novembro 2017 | 05h00 ctv-cmp-gradin-ernertorodrigues Bernardo (E) e Miguel Gradin: disputa com a Odebrecht já se arrasta por sete anos Foto: Ernesto Rodrigues/AE

Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini, O Estado de S. Paulo

Projeto GranBio, da família Gradin, tinha o objetivo de produzir 1 bilhão de litros de etanol em 2020; meta foi adiada em uma década.

Bernardo (E) e Miguel Gradin: disputa com a Odebrecht já se arrasta por sete anos Foto: Ernesto Rodrigues/AE.

Os problemas enfrentados pela família Gradin atrasaram em pelo menos três anos o plano de uma segunda usina do grupo GranBio, anunciada inicialmente para 2016. E a meta de produzir 1 bilhão de litros de etanol foi jogada de 2020 para, ao menos, 2030.

Neste ano, a empresa decidiu suspender a produção do etanol de segunda geração em sua fábrica e colocá-la para gerar energia. Erguida em São Miguel dos Campos (AL), a primeira usina de etanol dos Gradin foi projetada para produzir 38 milhões de litros de etanol por ano. Com a medida, produziu só 5 milhões de litros em 2017.

A ideia era retomar a produção do biocombustível no início da safra, em setembro. Mas, diante dos atrasos e do prejuízo acumulado, Bernardo Gradin, presidente da GranBio, colocou a palha de cana colhida para produzir energia, aproveitando os altos preços pagos pela eletricidade no sistema Nordeste, que enfrenta seca histórica.

“A GranBio tomou uma decisão empresarial apropriada para o momento”, afirma Plinio Nastari, da Datagro, uma das mais importantes consultorias do setor sucroalcooleiro.

Segundo ele, o etanol de primeira e de segunda geração tem forte potencial para avançar no País. O setor ainda tenta se recuperar da forte crise que se abateu sobre as usinas a partir de 2010. A falta de competitividade levou uma série delas à recuperação judicial.

A produção de etanol na usina de Alagoas, mesmo que restrita, só é possível hoje porque os Gradin decidiram investir no desenvolvimento de tecnologias que substituíssem a solução vendida pela italiana Beta Renewables, do grupo Mossi Ghisolfi. Apostaram em patentes próprias por meio de sua subsidiária americana, a API, na qual detém 25%.

Colocando a usina para gerar energia, a GranBio deve faturar cerca de R$ 90 milhões neste ano, valor que espera elevar para R$ 200 milhões até 2019, quando acredita que enfim dará lucro, segundo fontes a par das projeções da companhia. Os Gradin, porém, já não se fiam no plano original da empresa. A ideia era erguer dez plantas, por R$ 4 bilhões. Agora, o objetivo é iniciar a construção da segunda usina e então checar se é possível colocar de pé as demais.

Grupo

Enquanto a GranBio tenta decolar, outros negócios da família Gradin que estão sob o guarda-chuva da GranInvestimentos avançam. O grupo foi criado com a saída de Bernardo e seu irmão, Miguel, da Odebrecht, no final de 2010, onde comandavam a petroquímica Braskem e a Odebrecht Óleo e Gás, respectivamente.

A GranEnergia, braço liderado por Miguel, é dona de empresas de apoio à indústria offshore que, juntas, devem faturar R$ 400 milhões neste ano.

Procurada, a GranBio afirmou que trajetória de pioneirismo é sempre mais difícil e que, após refazer vários desenhos de rota, está confiante de que o projeto seguirá com sucesso. 


Fonte: O Estado de S. Paulo
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