Usinas do Noroeste de Minas têm vários projetos para os próximos anos
13-12-2021
As cinco usinas do Noroeste de Minas estão com vários planos e metas para a safra 2022/23 e para os próximos anos, apresentados durante a Sucronoroeste 2021, ocorrida no dia 04/12 em João Pinheiro.
A SIAMIG entrevistou os Associados e fez um breve relato sobre as perspectivas das usinas DVPA, BEVAP, WD Agroindustrial, Rio do Cachimbo e Veredas.

Thomas Paine, DVPA
Thomas Paine, diretor da Destilaria Vale do Paracatu Agroenergia (DVPA)
A DVPA voltou sua capacidade de gestão para a área agrícola, tem conseguido atingir os objetivos e conquistado o apoio dos investidores e acionistas. A expectativa é ganhar escala e produtividade, com investimento em tecnologia agrícola. Já na indústria o importante é fazer um trabalho planejado e na hora certa.
A empresa já terminou a safra deste ano com uma moagem de 1,371 milhões de toneladas, 5% a mais do que a safra 20/21, que resultou numa colheita de 1,336 milhões de toneladas. A expectativa para o próximo ano é colher 1,7 milhões de t a 2 milhões t, com investimentos na casa dos R$ 200 milhões.
As novidades ficam para o que Thomas Paine chama de “moagem ampliada”, talvez de etanol de milho e investimentos na área de biogás. A empresa está analisando a implantação do projeto de biogás para o ano que vem, com viabilidade até a safra 23/24, a princípio para geração de energia elétrica e abastecimentos dos veículos próprios.
A empresa produziu 130 mil MWh ao longo da safra, com a comercialização de 90 mil MWh. Paine acredita que o mercado vai demandar mais energia elétrica e etanol nos próximos anos.

Ademir Rocha, Destilaria Veredas
Ademir Quintino da Rocha, agrônomo e Superintendente da Veredas e Veredas Agro
A Destilaria Veredas, em João Pinheiro, sofreu com a seca deste ano e teve uma quebra na safra de 17%, com uma colheita de 427 mil t, uma redução de 100 mil toneladas comparada com a safra passada. Porém, a sacarose foi maior e obteve um incremento da produção de etanol com 39,4 milhões de litros de etanol produzidos.
Os projetos para os próximos três anos são para a garantia da produtividade da cana com a verticalização do uso da vinhaça em todas as áreas de plantio, com investimentos em torno de R$ 14 milhões. Atualmente, a usina faz apenas irrigação de salvamento com água, mas num ano como esse de severa seca, a vinhaça seria melhor, porque tem matéria orgânica e potássio para a fertirrigação.
Com esses investimentos, Ademir Rocha diz que a expectativa é ter um ganho de produtividade acima de 18% passando de 56 t/ha para 80 t/ha em três anos. A usina está localizada num tipo de solo que é muito arenoso e de pouca retenção de água. Ela irá fazer, também, um projeto piloto de irrigação com gotejamento de 100 ha, a fim de verificar a viabilidade, e chegar a 1000 hectares. A meta é chegar as 600 mil toneladas de moagem, aí pensará em expandir a área industrial e área de plantio.
Outro projeto previsto é a produção de 12 mil toneladas de adubo orgânico, com a meta de chegar as 20 mil toneladas. O adubo é composto da torta de filtro, bagaço, enriquecido com vinhaça, esterco de gado, cama de galinha, incrementado com escória de siderurgia, rocha fosfatada e rocha com potássio. Com o que já está sendo aplicado, as análises mostraram que a empresa não precisa usar adubo químico. Para o plantio já ocorreu uma redução de 80%, somando a soqueira, também, a expectativa é reduzir, significativamente, o adubo químico nos próximos três anos. ” Este ano aumentamos a produção do adubo orgânico e foi assertivo em função dos altos custos dos insumos neste momento”, afirmou.
Este ano já vai plantar 100% da cana com georreferenciamento, além do incremento da rotação com soja. A empresa está licenciando três barragens para garantia dos projetos de irrigação, com 240 hectares de lâmina de água em funcionamento.

Marcelo, Rio do Cachimbo
Marcelo Oliveira, Gestor Ambiental da Rio do Cachimbo
A Rio do Cachimbo, localizada em João Pinheiro, encerrou a safra em outubro e teve uma quebra de 8% da produção, ficando a moagem em 290 mil toneladas e fabricação de 26 milhões de litros de etanol. Apesar da redução a moagem, a usina conseguiu produzir a mesma quantidade de etanol do ano passado, com um pico melhor da sacarose este ano. "Se o índice pluviométrico se manter no final do ano, acredito que iremos recuperar pelo menos a mesma produção do ano passado”, diz Marcelo.
A Rio do cachimbo está em constante evolução, mas foram dois anos difíceis em relação a seca e pragas. Mas para o ano que vem, a usina pretende ajustar o nível de eficiência que perdeu neste período, quer romper a barreira da moagem das 300 mil toneladas e poderá avançar também em relação à produção de etanol.
Na parte ambiental, a empresa tem uma preocupação grande e está sempre evoluindo, com recuperação de APP, onde não existe outra atividade e neste caso estão totalmente protegidas!

CEO Gabriel Sustaita, o diretor Executivo, Gilmar Galon, e Hermes Arantes (Gerente Agrícola)
Gabriel Sustaita, CEO da Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap)
A Bevap, localizada em João Pinheiro, ainda não terminou a safra e está moendo apesar do aumento das chuvas nesta época do ano. A empresa também sofreu com o clima deste ano e terá uma quebra em torno de 3,5%, mas se conseguir moer toda a cana terá uma recuperação.
Este ano a empresa moeu 2,850 milhões de toneladas, 4,5 milhões de sacas de açúcar e 80 milhões de etanol. Para o próximo ano, a expectativa é de chegar nas 3 milhões de toneladas, 5 milhões de sacas de açúcar e 95 milhões de litros de etanol.
Para o próximo ano, o etanol seguirá a política da Petrobras, e os insumos seguirão o preço de mercado, que já está bastante alto, o ambiente político também poderá impactar. “Deve ser um ano bom, porém, está segurando alguns plantios em função da alta dos insumos”, afirmou Gabriel Sustaita.

Luiz Roberto, WD Agroindustrial
Luiz Roberto Marques, diretor da WD Agroindustrial
A WD Agroindustrial já terminou a safra em outubro, com um adiantamento desse procedimento, por causa do período seco, então, não houve parada da colheita. A WD trabalha com irrigação de salvamento e a quebra foi de 10%, com uma produção de 2 milhões de toneladas, 3,4 milhões de sacas de açúcar, 67,9 milhões de litros de etanol e geração de 150 mil MWh de energia elétrica do bagaço da cana.
A empresa está analisando como será a próxima safra, a cana atrasou a brotação e os fortes incêndios que ocorreram este ano comprometeram muito o canavial.
“O preço dos insumos está muito alto, e vai depender de como será comercialização dos produtos, o mercado está muito instável”, diz Luiz Roberto.
Fonte: Gerência Comunicação SIAMIG

