VA&E busca ampliar parceria com usinas
25-08-2016

Criada em 2015 pela Ecom Agroindustrial, sediada na Suíça, e pela americana V&A Commodity Traders, a trading VA&E pretende ampliar sua estratégia de parceria com usinas sucroalcooleiras no Brasil para oferecer mais segurança na originação de açúcar branco no país. A trading opera hoje com a Usina Carolo e quer ter mais uma parceira na próxima safra.

Segunda maior exportadora de açúcar branco do país, a VA&E herdou o modelo de atuação que sua controladora Ecom adota desde 2011, no qual a trading estabelece um acordo tanto com os fornecedores de cana quanto com a usina. Com os produtores agrícolas, a trading realiza uma operação de barter, fornecendo insumos, como defensivos e fertilizantes, em troca da cana.

Com a matéria-prima em mãos, a trading fornece a cana à usina em troca da garantia de que comercializará sua produção de açúcar, em uma relação de tolin, mais comum nas transações entre produtores de laranja e indústrias de suco.

Segundo Clóvis Junqueira Franco, CEO da VA&E, há conversas com ao menos três usinas, mas apenas uma deve ser escolhida como parceria na safra 2017/18, que começa em abril próximo. O executivo diz que avalia usinas em Goiás e São Paulo, especialmente na região de Catanduva e Araçatuba. Ele ressalta que a usina não pode estar na mesma região de influência da Carolo ­ localizada no município paulista de Pontal, próximo a Sertãozinho ­ para não criar concorrência com a VA&E pela cana.

A opção de estabelecer e consolidar uma parceria de cada vez se deve ao perfil conservador da trading, afirma Franco. "Não gostamos de nos alavancar muito, somos conservadores. Até daria para fazer [parceria] com mais usinas junto, mas ficaríamos alavancados", diz. A ideia é ir firmando parcerias com os produtores até que a VA&E seja capaz de garantir o fornecimento de toda a cana que a usina tem capacidade de processar em uma safra. Atualmente, a VA&E já fornece praticamente todo o volume que a Carolo tem capacidade de processar ao longo de uma temporada.

Como já será a segunda parceria, porém, ele espera que a consolidação se dê mais rapidamente. "Em uma usina com 2,5 milhões de toneladas de capacidade, em duas safras eu já garanto [o fornecimento de cana] da capacidade máxima e imagino que possa ir para a terceira", avalia o executivo.

A parceria com a VA&E permitiu que a Carolo mantivesse suas atividades e até aumentasse seu processamento mesmo em meio a um processo de recuperação judicial e restrição de liquidez, além de garantir o pagamento aos produtores. Em 2011, quando a VA&E começou a implementar esse modelo de parceria, a trading tinha acordo com 35 dos fornecedores de cana da Carolo, a partir dos quais conseguia fornecer 200 mil toneladas de cana à usina. Atualmente, são mais de 200 produtores na base de fornecedores da VA&E, que garantem um abastecimento de até 13 mil toneladas de cana por dia à usina.

Embora o modelo tenha caído como uma luva para uma usina em dificuldade financeira, Franco ressalta que a parceria proposta pela VA&E se encaixa em todos os perfis de usinas, já que garante a gestão do capital, deixando a parceira focada na gestão agrícola e industrial. "Como usina é um negócio de capital intensivo, sempre precisa de financiamento, [a parceria] é uma ajuda para o fluxo de caixa muito bem-vinda, mesmo para empresa com boa capacidade financeira", avalia.

Essa estratégia de atuação da VA&E visa menos um aumento dos volumes e mais uma garantia de segurança à cadeia, e, consequentemente, ao seu próprio negócio. "Nosso foco é açúcar branco. Não estamos preocupados com açúcar VHP, então não visamos volume", assegura Franco. Atualmente, a trading negocia cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar por ano nos países em que opera, mas o Brasil representa 80% de seu negócio.