Vale anuncia primeiro navio transoceânico do mundo movido a etanol
20-04-2026

Logo da Vale na NYSE, empresa responsável pelo complexo de mineração Itabira.  REUTERS
Logo da Vale na NYSE, empresa responsável pelo complexo de mineração Itabira. REUTERS

Uso pioneiro do biocombustível em embarcações a serviço da mineradora pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo em cerca de 90%

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo

A Vale e a Shandong Shipping Corporation concluíram um acordo de afretamento para novos navios Guaibamax movidos a etanol, que serão entregues a partir de 2029. O acordo é um marco sem precedentes para o transporte global de minério de ferro: é a primeira vez na indústria marítima que o etanol será adotado como combustível principal em uma embarcação transoceânica.

Com potencial para reduzir as emissões de carbono em cerca de 90% em comparação com o uso de óleo combustível pesado, comumente utilizado na navegação, a iniciativa reforça o compromisso da Vale de reduzir suas emissões de carbono na cadeia de valor e promover a descarbonização no setor marítimo, em linha com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO).

O acordo entre Vale e Shandong inclui contratos de 25 anos para a construção de 2 navios, com opção para mais embarcações. A adoção destes Guaibamax de segunda geração, que são embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas, faz parte de uma estratégia multicombustível da mineradora brasileira. Além de etanol, estas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, incluindo ainda um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou de amônia.

"Os esforços pioneiros da Vale para a descarbonização no transporte marítimo são orientados para uma estratégia que combina flexibilidade e eficiência. A utilização do etanol como combustível nos navios que transportam o nosso minério, aliada à adoção de velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, permitem que a Vale esteja em uma posição única para a transição energética no transporte marítimo global nas próximas décadas, ao mesmo tempo em que impulsionam iniciativas semelhantes no setor", diz Rodrigo Bermelho, Diretor de Navegação da Vale.

Considerando o ciclo completo do combustível do poço ao hélice (well-to-wake), o etanol pode representar uma redução de aproximadamente 90% (no caso de etanol de segunda geração) nas emissões de carbono em comparação com o óleo pesado. Além do transporte marítimo, a adoção do etanol na logística da Vale inclui testes em caminhões nas operações e em locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM).

Redução das emissões

Os novos navios movidos a etanol serão semelhantes a outros 10 navios bicombustíveis (metanol e óleo pesado) que serão entregues pela Shandong para a Vale a partir de 2027. A segunda geração do Guaibamax será equipada com cinco velas rotativas – que utilizam energia eólica para reduzir o consumo de combustível –, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone, entre outras melhorias na eficiência energética. O conjunto de tecnologias aplicadas reduzirá em cerca de 15% as emissões de GEE* em comparação com a geração atual de Guaibamax.

Essas tecnologias e combustíveis alternativos estão sendo testados no âmbito do programa Ecoshipping, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento criada pela Vale para apoiar o desafio de descarbonização da indústria marítima e aumentar a eficiência da frota a serviço da mineradora.

Fonte: CNN