Volatilidade de preços desafia setor sucroenergético
23-03-2026

Executivo da Enersugar vê pressão global e aposta no etanol

Andréia Vital

O setor sucroenergético atravessa mais um período de volatilidade, com pressão sobre os preços e influência crescente de fatores geopolíticos e macroeconômicos. A avaliação é de Sylvio Ribeiro do Valle Mello Jr., sócio e membro do Conselho de Administração da Usina Enersugar, durante a 10ª DATAGRO Abertura de Safra Cana Açúcar e Etanol, realizada nos dias 11 e 12 de março, em Ribeirão Preto - SP.

Segundo o executivo, o ambiente de negócios da cana-de-açúcar segue marcado por ciclos recorrentes de alta e baixa, que voltaram a se intensificar no cenário atual. “O setor vive mais um período de pressão de preços, influenciado pela geopolítica e pelas condições do mercado global. Essas variáveis acabam influenciando diretamente as nossas decisões”, afirmou.

De acordo com Valle, os debates realizados no evento reforçaram o peso das discussões políticas e financeiras na definição das estratégias das empresas, diante de um ambiente internacional mais complexo.

Apesar das incertezas no curto prazo, o executivo avalia que há espaço para recuperação das cotações nos próximos anos. “A expectativa é que possa haver uma reação de preços em um horizonte de um ou dois anos, também por conta das dificuldades enfrentadas por produtores em outras regiões”, disse. Nesse cenário, o etanol ganha papel estratégico na gestão do mix produtivo, funcionando como alternativa em momentos de maior pressão sobre o açúcar.

Na avaliação de Valle, a trajetória recente da Enersugar contribui para atravessar períodos de instabilidade. Fundada em 2019, a companhia completou cinco anos de operação após um ciclo de expansão acelerada, com moagem de cerca de 1,85 milhão de toneladas de cana na safra 2025/26 e projeção de atingir 2 milhões de toneladas no próximo ciclo.

“Chegamos ao topo da nossa produção atual e ainda temos capacidade ociosa. Isso nos coloca em uma posição confortável para atravessar períodos de baixa de preços que costumam ocorrer em ciclos de quatro ou cinco anos no mercado de açúcar”, afirmou.

Segundo ele, o foco agora está na gestão do mix e na eficiência operacional, com maior direcionamento para o biocombustível quando necessário. “O etanol funciona como uma espécie de esponja para o excesso de cana quando o açúcar está pressionado. Essa flexibilidade é essencial para atravessar os ciclos do setor”, disse.

O executivo também destacou que o cenário exige atenção a variáveis internas, como juros e ambiente político, que influenciam diretamente o planejamento das empresas.

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