Zilor “escapa” dos impactos do clima e melhora resultados
01-12-2021

Diferentemente da maior parte das usinas de São Paulo, o grupo Zilor escapou com poucos arranhões dos impactos da seca e das geadas nos canaviais neste ano e concluiu o segundo trimestre da safra 2021/22 com resultados mais fortes do que um ano atrás, apoiado nos altos preços de etanol e açúcar.

Dona de três usinas no interior paulista e um negócio de leveduras, a companhia, principal cooperada da Copersucar, acumulou um lucro de R$ 375 milhões nos seis primeiros meses, um aumento de 41% em comparação com o mesmo período da safra passada, quando o resultado teve o impacto do pagamento dos precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Neste ano, as novas parcelas de precatório do IAA só caíram após o segundo trimestre.

A Zilor também foi afetada pela seca e por três geadas, mas o impacto foi significativamente menor que em outras empresas. O processamento de cana nos dois trimestres ficou em 8,6 milhões de toneladas, queda de 1,2% na comparação com o mesmo período da safra passada, com um desempenho surpreendente em Quatá.

Segundo Fabiano Zillo, CEO da Zilor, ajudou a minimizar os impactos do clima a fato de seus canaviais estarem em regiões com temperaturas mais amenas que em outras do Estado, além dos investimentos que a companhia vem realizando há três safras para aumentar a produtividade, como em tratos culturais, controle de pragas e atualização de variedades de cana. A seca ainda permitiu um aumento de concentração de sacarose em uma medida que compensou a quebra agrícola.

Com uma oferta mais estável de matéria-prima, a empresa manejou melhor sua estrutura operacional e aproveitou os bons preços de etanol e açúcar, concentrando-se no cumprimento dos contratos de açúcar branco e de etanol anidro.

Nos seis meses da safra, a receita líquida cresceu 32%, a R$ 1,6 bilhão, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 42%, a R$ 674,2 milhões - o que elevou a margem Ebitda a 42,9%.

O bom desempenho em açúcar, etanol e energia cogerada do bagaço compensou o enfraquecimento das atividades do negócio de leveduras, a Biorigin, afetado pela crise de logística global. “Afetou o timing de vendas. Já teve ocasiões em que se perdeu a janela de embarque e só encontramos outra muito tempo depois”, diz Marcos Arruda, diretor financeiro da Zilor. A tendência, diz, é que o problema persista por todo o ano que vem.

Para a próxima safra, a Zilor manterá os aportes nas lavouras e agora também na cogeração, depois que venceu o leilão A-3. Para cumprir o contrato, desembolsará R$ 250 milhões nos próximos três anos.

Segundo Fernando Leal, gerente da Tesouraria, depois da captação de R$ 480 milhões em CRA, a Zilor concluiu as captações para reforçar o caixa para a próxima safra e não espera mais acessar o mercado.

Fonte: Valor Econômico