5ª edição do Portas Abertas IAC será nos dias 6 e 7 de novembro em Campinas
29-10-2026
Evento é oportunidade única para a população conhecer tecnologias e projetos que transformam a agricultura brasileira
O Instituto Agronômico (IAC) abre suas portas ao público para apresentar de perto pesquisas, tecnologias e coleções científicas que impactam diretamente a agricultura brasileira e mundial, além de sua arquitetura e seu parque que fazem o visitante se encantar. O público terá a oportunidade de visitar a área instalada na avenida Barão de Itapura, no coração de Campinas, interior paulista. Prédios, instalações e a natureza fazem o cidadão esquecer que está em meio à concentração urbana e avenidas movimentadas da metrópole. Este ano terá uma novidade para o público infantil: haverá uma tela interativa para que as crianças participem de atividades lúdicas e aprendam sobre a exposição e o IAC. Os interessados podem comparecer nos dias 6 e 7 de novembro, das 9h às 17h, sem inscrição prévia, na sede do IAC. A visitação para escolas já está com inscrições encerradas. Em 2025, cerca de sete mil visitantes passaram pelo evento nos dois dias.
Os visitantes poderão percorrer diferentes áreas temáticas e interagir com pesquisadores, experimentos e exposições. O Portas Abertas IAC 2026 reforça o papel do Instituto Agronômico como referência em inovação e sustentabilidade e aproxima a ciência da comunidade. A população deixa a mostra surpresa com tudo que vê, orgulhosa por conhecer os resultados da ciência e reconhecendo um pouco sobre como a pesquisa agrícola contribui para a segurança alimentar, a economia e a preservação ambiental.
O que esperar da 5ª edição
Integração ciência-sociedade: visitantes terão contato direto com pesquisadores e experimentos em diversas áreas, como citros, fitossanidade, solos, cana-de-açúcar e horticultura, área que trará materiais e informações sobre cacau, palmeiras ornamentais, pupunha, plantas aromáticas e condimentados, como urucum. A exposição de sementes de cultivares IAC trará a variabilidade para pertinho do público.
Tecnologias sustentáveis: destaque para soluções que reduzem custos de produção e aumentam a produtividade, como a tecnologia IAC-Broto para batata, método sustentável e regenerativo que favorece grandes e pequenos bataticultores no Brasil e no mundo. Esta tecnologia foi premiada em setembro na Alemanha. Há também técnicas que envolvem adoção de óleos de citros no controle de fitopatógenos e o uso de microrganismos benéficos que ajudam o feijão a fixar nitrogênio do ar.
Quem não conhece a seringueira terá a oportunidade de ver uma parte do seu tronco com o painel de sangria aberto, onde se extrai o látex, que resulta na borracha natural em diferentes formas e seus produtos. Mudas e sementes da árvore também poderão ser vistas.
O público poderá conhecer parte do Quarentenário, local onde se analisa material vegetal que chega ao Brasil vindo de outros países para pesquisa científica. Os interessados poderão observar com lupa fungo que causa doença em plantas.
Experiências práticas: demonstrações de enxertia de citros e testes de germinação nesta cultura, cultivo indoor de microverdes, protótipos de automação agrícola e sistemas de mudas pré-brotadas de cana (MPB).
Também na área cana, haverá caules, chamados colmos, e subprodutos: artesanatos com bagaço de cana, cachaça, açúcar mascavo e rapadura. O público também poderá conhecer um alambique.
Ainda no segmento bioenergético, serão apresentados frutos e frações de macaúba, cacho e os óleos obtidos a partir desta palmeira nativa do Brasil.
Exposições ampliadas: a biblioteca terá exposição de obras raras, equipamentos históricos e acervo do Projeto Genoma da Xylella fastidiosa, além de atividades interativas para crianças. Nesta edição, o acervo em exposição foi ampliado, incluindo peças raras de fotografia e um dos 35 sequenciadores automáticos de DNA trazidos para São Paulo e distribuídos às instituições envolvidas, dentre elas o IAC, no Projeto Genoma da Xylella fastidiosa. “Essa bactéria foi o primeiro fitopatógeno a ter seu genoma sequenciado no mundo, um marco que deu visibilidade à ciência brasileira e foi destaque na capa da revista Nature, também em exposição no espaço”, comenta a pesquisadora Alessandra Alves de Souza.
No Portas Abertas será feita a inauguração da vitrine tecnológica “IAC: living lab em ambiente controlado”, onde estarão alunos do terceiro ano do curso de Engenharia Agronômica da PUCC, explicando sobre as principais cultivares IAC das culturas comerciais.
Atenção ao horário de sábado
A oficina gastronômica com chef do curso de Gastronomia da PUC-Campinas será no sábado, 7, das 10h às 12h. Essa parceria irá proporcionar a elaboração de pratos com produtos IAC, como cultivares de batata-doce creme, alaranjada e roxa, além de hastes de pupunha, mandioca, feijão rajado, amendoim e arroz preto.
Andou muito? Cansou os pés? Será possível levar para casa brindes de escalda-pés de alecrim e lavanda e também mudas de maracujá.
Tradição em solos
Os visitantes conhecerão a casa de vegetação, onde há pitaia em vaso e experimento com macaúba e adubação orgânica. Nos canteiros será apresentada a relevância do manejo para a produção agrícola com o tema “A importância do manejo da fertilidade em tempos de crise.”
Já viu uma planta de milho? Nela poderá ser observada a ação da matéria orgânica e da adubação, destacando os ganhos obtidos com a adubação correta e como ela reflete no porte e vigor da planta. Outro experimento mostrará canteiros com adubos verdes, feijão de porco, crotalária e mileto, que revelam o papel dessas plantas de cobertura para produzir maior biomassa.
“Será mostrado o uso de inoculantes na agricultura, dos micro-organismos, de bactérias e fungos promotores de crescimento que podem auxiliar em tempos de crise de fertilizantes”, comenta Estêvão Vicari Melis, pesquisador do IAC, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O público conhecerá a estação solos e sua conservação com informações sobre a formação deste recurso natural essencial à agricultura, sua origem e a importância da sua conservação. Nesta estação, haverá tintas feitas de terra para as crianças pintarem e conhecerem os diversos tons dos solos.
No prédio D. Pedro II, serão apresentadas tecnologias e experimentos com plantas que revelam a deficiência de nutrientes e a importância da calagem e de sua associação ao zinco para a cana-de-açúcar, por exemplo.
Controle de doenças e pragas
Interessados em engenharia e automação poderão ver tecnologias relacionadas aos programas QUEPIA, Aplique Bem e Adjuvantes, todos desenvolvidos no IAC e relacionados ao controle químico de pragas e doenças na agricultura.
O Programa IAC de Qualidade em Equipamento de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA) é uma iniciativa do IAC, implementada em 2006, para certificar a qualidade e eficácia de Equipamento de Proteção Individual (EPI) na agricultura, especialmente vestimentas usadas na aplicação de agrotóxicos. O objetivo é desenvolver novos materiais e testar os já existentes a fim de garantir a segurança do trabalhador rural. Em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o IAC também estabelece normas nacionais e internacionais relacionadas a EPI agrícola.
O Programa Aplique Bem, desenvolvido pelo IAC em parceria com a UPL, destina-se à avaliação da qualidade de pulverizadores em uso, utilizando a norma ISO 16122. A eficiência na aplicação de defensivos depende da combinação de três fatores: um bom pulverizador, corretamente regulado e operado por um profissional capacitado. A manutenção desses equipamentos ainda é um dos principais desafios na agricultura. A falha pode levar a uma distribuição não uniforme dos produtos na área, causando redução na eficácia ou mesmo potencializando problemas como o de potencialização da resistência de pragas e doenças, além do desperdício de recursos.
Quem nunca ouviu falar de adjuvantes poderá conhecê-los. São produtos que desempenham funções específicas no controle de pragas e doenças nas plantas. Podem ser classificados de acordo com a sua funcionalidade em dois grandes grupos: os Utilitários, que atuam no processo de pulverização, ou seja, entre o tanque e o alvo, e os Potencializadores, que melhoram o desempenho do produto depois que a gota atinge o alvo. “Os agrotóxicos são ativos mesmo sem o uso dos adjuvantes. Porém, seus efeitos podem ser potencializados. Dentro desses grupos estão as funcionalidades do adjuvante, que são sua forma de ação, como tensoativos, espalhantes, adesionantes, penetrantes, umectantes, redutores da evaporação, tamponantes, quelatizantes e redutores de deriva”, explica o cientista do IAC, Hamilton Humberto Ramos.

