Acelen garante US$ 1,5 bi e bate o martelo para construção de planta de SAF na Bahia
22-05-2026

Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da Acelen Agripark, em Montes Claros (MG), para produção SAF e diesel verde (HVO) a partir de macaúba (Foto: Ricardo Botelho/MME)
Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da Acelen Agripark, em Montes Claros (MG), para produção SAF e diesel verde (HVO) a partir de macaúba (Foto: Ricardo Botelho/MME)

Acelen confirma FID para produção de SAF na Bahia; companhia já possui 90% da produção contratada para clientes nos Estados Unidos e Europa

Gabriel Chiappini

A Acelen Renováveis — empresa do Mubadala Capital, fundo soberano de Abu Dhabi Emirados Árabes Unidos — anunciou a decisão final de investimento (FID), nesta quinta (21/5), e US$ 1,5 bilhão para dar início à construção de sua biorrefinaria na Bahia, ao lado da Refinaria de Mataripe, da Acelen.

Parte desse valor é financiada por um consórcio liderado por HSBC e IFC, e que reúne outras dez instituições financeiras nacionais e internacionais.

São elas: First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), BID Invest, BNDES, Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), Development Finance Institute Canada (FinDev Canada), KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA, Bank of China.

“Com presença consolidada no país, o Mubadala Capital acredita no potencial do Brasil para desenvolver combustíveis renováveis em larga escala — e está comprometido a fazer parte dessa jornada”, afirma Leonardo Yamamoto, sócio do fundo.

A expectativa da empresa é produzir 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis — SAF e diesel verde (HVO) — em uma planta flexível, capaz de alternar a produção conforme a demanda. 

O anúncio ocorre mesmo com a demora na publicação do decreto que vai regulamentar o mandato de uso de SAF no Brasil. 

Isso porque os contratos de off-take firmados para cerca de 90% da produção futura do biocombustível são voltados principalmente aos mercados dos Estados Unidos e da Europa. 

Segundo o anúncio, a biorrefinaria receberá investimento superior a US$ 3 bilhões e terá início de operação previsto para 2029. Incialmente, a ideia era 2028.  

Padrões de sustentabilidade

A IFC (International Finance Corporation), instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado, atuou como coordenadora geral em conjunto com o HSBC para garantir a estruturação financeira após ampla diligência técnica, ambiental e social. 

“O projeto seguirá rigorosos padrões internacionais de sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental definidos pela IFC, incluindo critérios ambientais, sociais e de gestão reconhecidos globalmente para projetos de infraestrutura e transição energética”, diz o comunicado enviado à imprensa.

Segundo Olaf Schmidt, diretor regional da Indústria para Manufatura, Agronegócio e Serviços da IFC para América Latina e Europa, o apoio a uma das primeiras instalações de SAF da América Latina em grande escala busca demonstrar a viabilidade comercial e lançar as bases para investimentos replicáveis na região. 

O projeto conta com parceiros como Honeywell UOP, Alfa Laval e Construcap, além de acordos comerciais com empresas como Trafigura, Moeve, Bunge e BGN.

“A estruturação deste financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do projeto. Entramos agora em uma nova etapa de execução industrial em larga escala”, afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis.

Inicialmente, a planta utilizará um blend de matérias-primas, incluindo óleo de soja, UCO (used cooking oil, ou óleo de cozinha usado) e gordura animal.

A macaúba será incorporada gradualmente, à medida que a produção agrícola avance.

A Acelen pretende plantar 144 mil hectares de macaúba em áreas degradadas na Bahia e em Minas Gerais. Segundo a companhia, cerca de 20% da produção virá da agricultura familiar.

“Esta operação reforça nosso compromisso em apoiar clientes e parceiros na transição energética, conectando financiamento global a projetos transformacionais com impacto econômico, social e ambiental de longo prazo”, afirma o CEO do HSBC Brasil, Alexandre Guião

Fonte: Agência Eixos