Acordo UE–Mercosul traz benefícios para o setor sucroenergético da PB
06-02-2026

Para o Sindalcool, que representa as usinas de açúcar e etanol da Paraíba, o grande benefício para a região Nordeste é o menor custo logístico. 

 Por Kiara Duarte

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, assinado no mês passado e ainda em fase de ratificação, representa uma oportunidade estratégica para o setor sucroenergético do Nordeste, com impactos diretos e positivos para estados como Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

A relevância do acordo para a região também está associada às cotas específicas de importação de açúcar e etanol com tarifas zeradas ou reduzidas, o que tende a ampliar a competitividade dos produtos nordestinos no mercado europeu. 

Para o Sindalcool, que representa as usinas de açúcar e etanol da Paraíba, o grande benefício para a região Nordeste é o menor custo de elevação (colocar e armazenar no porto, incluindo o carregamento), menor distância entre usinas e portos e menor distância entre portos do Nordeste com União Europeia, África e Canal do Panamá. 

Para a Paraíba, onde o setor sucroenergético tem forte peso econômico e social, o acordo pode significar retomada de exportações, geração de renda e fortalecimento da cadeia produtiva.

Conforme destacou reportagem do Movimento Econômico, o acordo prevê cotas de exportação com condições tarifárias diferenciadas, entre elas:

Açúcar (raw cane sugar para refino): 180 mil toneladas por ano com tarifa zero para entrada na União Europeia, destinadas às refinarias europeias.

Etanol para uso industrial: 450 mil toneladas por ano com tarifa zero.

Etanol para outros usos (incluindo combustível): 200 mil toneladas por ano com tarifa reduzida dentro da cota (in-quota), com alíquotas inferiores às atualmente praticadas e redução tarifária progressiva ao longo de aproximadamente cinco anos.

Na Paraíba, o Grupo Japungu, um dos pioneiros do setor sucroenergético brasileiro, com atuação por meio da Japungu Agroindustrial Ltda. e da unidade Agroval, avalia o acordo como positivo e já analisa a possibilidade de exportações para o mercado europeu.

Avaliamos que o acordo entre Mercosul e União Européia pode trazer bons frutos para o Brasil. Se falarmos especificamente do setor sucroalcooleiro, todo o volume de açúcar de cota preferencial é destinado para as usinas do nordeste (Brasil). Com isso, podemos ter a oportunidade de enviar nosso açúcar bruto (VHP) com isenção de tarifa, o que chegaria o nosso produto bem mais competitivo no destino”, diz Rodrigo Lima, diretor comercial da Japungu Agroindustrial.

Nas últimas safras, por excesso de produção de açúcar de beterraba, não tivemos negociações diretas para exportação para Europa. Como devemos ter uma redução de área plantada de beterraba, e com a vinda desse acordo, esperamos poder voltar a fazer os embarques. Lembrando que, se for integral sobre o volume estimado de 180 mil toneladas, isso significa aproximadamente 5% de todo açúcar produzido no Nordeste”, diretor comercial da Japungu Agroindustrial.

O cenário reforça o potencial do acordo UE–Mercosul como vetor de desenvolvimento para o setor sucroenergético paraibano, ampliando mercados, fortalecendo a competitividade internacional e consolidando a Paraíba como protagonista nas exportações do Nordeste.

 Fonte: Sindalcool