Açúcar despenca em NY após aumento da produção no Brasil
02-12-2025

Produção de açúcar no Centro-Sul cresceu 8,6% na primeira quinzena de novembro — Foto: Freepik
Produção de açúcar no Centro-Sul cresceu 8,6% na primeira quinzena de novembro — Foto: Freepik

Dados de produção na Índia também favoreceram para um recuo de quase 3% nesta segunda-feira

Por Paulo Santos e Fernanda Pressinott — Campina Grande (PB) e São Paulo

As questões relacionadas com a oferta trouxeram pressão de forte baixa nos preços do açúcar e do suco laranja na bolsa de Nova York nesta segunda-feira (1º). No que diz respeito ao açúcar, as cotações cederam após dados favoráveis para a produção no Brasil. Os lotes do demerara para março fecharam em baixa de 2,96%, cotados a 14,76 centavos de dólar a libra-peso.

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar nos primeiros quinze dias de novembro totalizou 982,95 mil toneladas, 8,69% mais que no mesmo período do ciclo anterior.

No acumulado desde o início da safra até 16 de novembro, a fabricação do adoçante totalizou 39,18 milhões de toneladas, com alta de 2,09%.

Não foram apenas os dados de safra do Brasil que derrubaram as cotações. Os números para a Índia reforçaram o quadro de baixa para a commodity nesta segunda. A Federação Nacional de Cooperativas de Usinas de Açúcar da Índia disse hoje que a produção no país entre outubro e novembro saltou 50% em relação ao ano anterior, atingindo 4,1 milhões de toneladas. A entidade também relatou que 424 usinas de açúcar na Índia estavam em operação até o dia 30 de novembro, um aumento quando comparado com as 382 do ano anterior.

Esse quadro de boa produção entre os maiores exportações mundiais de açúcar levou a International Sugar Organization (ISO) a indicar um superávit global de 1,625 milhão de toneladas para o ciclo 2025/26, dado que reforça o quadro de baixa para os contratos em Nova York.

Suco de laranja

O suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ, na sigla em inglês) também registrou queda expressiva na bolsa. Após uma sequência de três altas consecutivas, os contratos para janeiro fecharam em baixa de 4,81%, a US$ 1,4855 a libra-peso.

Na visão de Andrés Padilla, analista sênior do Rabobank Brasil, o suco deve permanecer com novas quedas na bolsa, devido à perspectiva de aumento na oferta em 2025/25 e ainda redução do consumo.

Café

As notícias favoráveis em torno do clima para áreas produtoras de café deram o tom negativo para as cotações em Nova York. Os contratos com vencimento em março de 2026 recuaram 0,39%, negociados a US$ 3,7970 a libra-peso.

Análise da Pine Agronegócios destaca que as chuvas em áreas produtoras do Brasil – maior produtor de arábica do mundo – ainda estão irregulares. Apesar disso, a empresa lembra que “as temperaturas dentro da média diminuem parcialmente a evapotranspiração em relação ao, e com isso, diminui o estresse das plantas”, disse a Pine, em boletim.

Já no Vietnã, onde os tufões registrados recentemente ligaram o alerta para o avanço da colheita no país, a consultoria lembrou que o as condições climáticas não afetaram o volume da produção em 2025/26.

Algodão

Nos negócios do algodão em Nova York, os papéis com vencimento em março tiveram ligeira queda, de 0,12%, cotados a 64,63 centavos de dólar a libra-peso.

Cacau

Apenas o cacau se valorizou entre as "soft commodities" negociadas em Nova York. Os contratos da amêndoa para março de 2026 avançaram 0,94%, negociados a US$ 5.556 a tonelada. O cacau passa por um momento de ajustes técnicos, e investidores ainda digerem a redução nas estimativas para o superávit global no ciclo 2024/25, divulgado semana passada pela Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês).

Fonte: Globo Rural