Adoção de variedades IAC avança e chega a 12,5% de área analisada na região Centro-Sul
16-01-2026

Programa de melhoramento genético do Instituto foi o que mais cresceu no país na safra 2025/26

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Jornalista científica e assessora de Comunicação IAC

A adoção de variedades de cana-de-açúcar desenvolvidas pelo Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC) avança na região Centro-Sul do Brasil. De acordo com o Censo Varietal IAC, na safra 2025/26, os materiais do Instituto estiveram em 12,5% do total de área de renovação, o que corresponde a 145 mil hectares, um aumento de 8,3% em relação à safra passada.

Nos plantios de cana de ano e meio, realizados entre os meses de dezembro/2024e março/2025, houve um aumento de 33% no uso dos materiais do IAC em comparação a colheita de cana de ano e meio na safra. “Observamos esse grande aumento, superior a dois dígitos, em relação ao plantio realizado na safra passada. Isso coloca o Programa Cana IAC como o programa de melhoramento genético que mais cresceu durante o período”, afirma Rubens Braga Junior, consultor do IAC e responsável pelo Censo Varietal.

A variedade IACSP01-5503 foi amplamente adotada em praticamente todas as regiões produtoras do Centro-Sul, ficando na quinta posição entre os materiais mais plantados no período, uma área de 5,6%, que corresponde a 66 mil de hectares em áreas de renovação e 170 mil hectares em área total cultivada.

A explicação para a ampla adoção do material, segundo Braga Junior, está em duas de suas características muito apreciadas pelo setor produtivo: alta densidade de perfilhos e porte ereto.

“Dizemos que esta é uma variedade moderna. Sua grande quantidade de perfilhos está diretamente ligada à alta produtividade. Já o não tombamento está relacionado a qualidade da matéria prima processada e a alta produção de açúcar para as usinas. O setor sucroenergético começou a perceber e valorizar a importância dessas características”, explica.

Em 10 anos, está é a edição do Censo Varietal do IAC com o maior número de respostas recebidas. Ao todo, o levantamento analisou informações coletadas em 321 unidades produtoras de cana, o que corresponde a 7,5 milhões de hectares, 21% a mais em relação ao levantamento do ano passado.

Setor diversifica adoção das variedades

A necessidade de diversificar as variedades cultivadas e plantas foi outro resultado importante mostrado pelo censo varietal do IAC. Segundo o consultor do Instituto Agronômico, o setor sucroenergético tem aumentado o número de variedades plantadas e deixado de concentrar o uso dos materiais.

A tendência já é percebida nas últimas três edições do levantamento do IAC e é bastante comemorada pelos cientistas.

“Os especialistas recomendam que uma região produtora ou uma usina não deveriam ter uma mesma variedade de cana cultivada em mais de 15% do seu território. Plantar um único material em uma grande área resulta em um grande risco biológico para os produtores. Felizmente temos visto a mescla dos materiais e a adoção de variedades mais modernas”, afirma.

Fonte: IAC