Agrion levanta R$ 48 milhões para construir nova fábrica de fertilizante
30-01-2026

Foto: Arquivo CanaOnline
Foto: Arquivo CanaOnline

NovaAmérica e a Enersugar firmaram parceria com a empresa e garantiram compra de 20% da produção por dez anos; recebíveis foram o lastro do CRA emitido

Por Camila Souza Ramos — São Paulo

A Agrion, empresa de fertilizantes organominerais fundada em 2019 pelo ex-piloto de corrida Ernani Judice, concluiu uma captação de R$ 48 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), para erguer sua segunda indústria de adubos que utiliza como matéria-prima resíduos do processamento de cana-de-açúcar.

Os recursos estão financiando a construção da fábrica que a Agrion terá em parceria com a NovaAmérica, uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo, e com a Enersugar, usina controlada por produtores de cana da região de Ibirarema (SP), que compraram a unidade em leilão da massa falida da antiga Usina Pau D’Alho em 2019. A emissão de CRA utilizou recebíveis da parceria como lastro.

O projeto para construir a unidade foi lançado em 2024, quando a Agrion firmou parceria com a NovaAmérica e com a Enersugar. A fábrica, que deve ficar pronta ainda neste ano, será a segunda da Agrion. A empresa já opera uma indústria de fertilizantes organominerais em Tupaciguara (MG) ao lado da usina Aroeira, com quem também tem parceria.

A emissão do CRA saiu por uma taxa final equivalente a CDI+4%. Para Judice, “é um custo relativamente alto”, mas justifica-se pelo fato de a empresa ser nova e pelo “risco de default no agronegócio”, que está recaindo sobre todas as emissões do setor diante do aumento da inadimplência no ramo. O CRA, emitido por meio da EQI, tem prazo de sete anos e carência de 18 meses.

Apesar do custo considerado elevado, Judice comemora a realização da emissão em um momento adverso do agronegócio. A operação reflete, segundo ele, o modelo de negócio da Agrion, que assegura parte da receita ao firmar parcerias de longo prazo com as usinas parceiras.

Na emissão do CRA, a Agrion ofereceu como lastro todos os recebíveis relacionados às vendas de seu fertilizante à NovaAmérica e à Enersugar, e que devem representar 20% de todas as vendas esperadas da unidade.

No modelo de negócio da Agrion, as vendas feitas às usinas parceiras são acertadas em contratos de dez anos, no modelo take-or-pay. “E sempre com usinas triple A”, ressalta Judice.

A fábrica que a empresa erguerá ao lado da Enersugar terá capacidade para produzir 50 mil toneladas de fertilizantes, mais do que a primeira indústria, que tem capacidade de 40 mil toneladas, e com mais estrutura para armazenar matéria-prima.

A unidade anexa à Aroeira também foi construída com recursos levantados em uma emissão de CRA no mesmo modelo, a um valor de R$ 28 milhões. Hoje, a indústria opera a plena capacidade e faturou aproximadamente R$ 100 milhões no ano passado.

A Agrion também quer expandir a planta anexa à Aroeira, e para isso já planeja uma nova operação de CRA. A ideia é quitar o saldo do título emitido na época e fazer uma nova operação para financiar a expansão.

Judice reconhece que o momento é complexo para as empresas de insumos agrícolas, mas diz que, ao garantir as vendas para uma usina parceira, protege parte de seus resultados. Na parceria com as usinas, a empresa sucroalcooleira fica responsável pela compra do NPK, o que protege tanto a usina como a Agrion de oscilações no preço da matéria-prima do fertilizante.

E, além de garantir 20% de suas vendas para a usina parceira, outros 20% das vendas são realizadas para fornecedores de cana da própria usina, que garante a operação. “É um risco quase zero de crédito”, afirma o empresário.

Os outros 60% acabam sendo vendidos no mercado para outras culturas, como soja e hortifrútis. Embora seu produto seja mais caro do que outros fertilizantes, Judice diz que o custo benefício é maior. “Como pego a matéria orgânica e encapsulo o NPK, a perda é muito menor. O produto leva 30% menos NPK e a produtividade aumenta 15%. Essa eficiência diminui o custo do produtor”, afirma.

Em 2025, as vendas da produção da fábrica de Tupaciguara tiveram uma inadimplência de 5%, sem nenhum calote, diz. “Apenas repactuações”, acrescenta.

Fonte: Globo Rural