Agro brasileiro atinge maturidade digital recorde e iguala média das indústrias em 2025
03-07-2026
Índice da PwC Brasil e FDC demonstra um salto no setor e agronegócio tem agora o desafio de superar novas barreiras tecnológicas
O índice de maturidade digital do agronegócio brasileiro registrou um crescimento significativo no último ano, passando de 3,1 em 2024 para 3,6 em 2025. O crescimento foi um dos maiores registrados entre as indústrias avaliadas pelo Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr), realizado pela PwC Brasil e Fundação Dom Cabral (FDC). No ano anterior, a média geral de todas as empresas brasileiras foi de 3,7 em uma escala de 6,0. O avanço apontado no setor evidencia ganhos estruturais e coloca o agro em posição mais competitiva no mercado nacional.
Realizado anualmente, o ITDBr utiliza uma metodologia própria para monitorar a evolução da transformação digital nas organizações brasileiras, permitindo mensurar a maturidade digital no país. Nesta edição, o índice busca entender se o agronegócio brasileiro vem acompanhando os novos patamares de produtividade e competitividade impostos pela inovação.
Entre os pontos positivos estão a infraestrutura (4,4) e estratégia (4,2) com desempenhos acima da média geral, de 4,3 e 4,1 respectivamente. A dimensão de pessoas e cultura também evoluiu de forma expressiva ao alcançar a nota 3,7, acompanhando de forma mais efetiva as expectativas do mercado.
“A transformação digital no agronegócio deixou de ser uma discussão sobre adoção de tecnologia e passou a ser uma pauta da liderança. O avanço depende menos das ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de estruturar processos, desenvolver pessoas e tomar decisões orientadas por dados. O agronegócio brasileiro está diante de um cenário que pede ação: evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação verdadeiramente estratégica, capaz de reinventar modelos de negócio, ampliar a competitividade global e sustentar o crescimento no longo prazo”, afirma Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil.
Resultados diretos
O ITDBr também mostra evolução nos resultados diretos: 90% das empresas do agro registram aumento da eficiência operacional como o impacto mais evidente da sua jornada digital. Há também evolução nos processos de decisão, citada por 54% das organizações.
Os dados confirmam outro percentual do índice: 49% das companhias já se classificam como "otimizadoras", ante uma média geral de 33,5%, o que evidencia uma postura mais favorável à evolução do agronegócio.
Desafios da IA
Apesar do avanço, a transformação digital do agronegócio brasileiro ainda esbarra em desafios quando comparado a outros setores. A adoção da Inteligência Artificial (IA) cresceu para 3,4 no índice, mas ainda está abaixo dos 3,7 da média geral. E a maior diferença está na dimensão de fronteira tecnológica, com a pontuação de 1,8 após queda de 1,4 ponto, refletindo uma baixa adoção de tecnologias emergentes.
O maior desafio, para 54% das empresas, é estruturar a digitalização como um processo organizado. Na sequência, 46% destacam a necessidade de integrar a transformação digital a projetos em andamento. Como a maior parte das organizações continua voltada a ganhos operacionais de curto prazo, a adoção de posturas disruptivas também se mostra limitada: apenas 8% se enquadram no perfil "visionário", enquanto a média geral é de 16%.
"Os resultados mostram que o agronegócio atravessa um momento de transição, concentrado principalmente na otimização de suas operações atuais. Ainda assim, a ausência de uma visão mais orientada ao futuro pode limitar a velocidade de evolução do setor diante das crescentes demandas do mercado global, em que a inovação contínua é cada vez mais crítica para a longevidade das empresas”, comenta Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.
Oportunidades de melhoria
Por fim, o conteúdo demonstra que existem oportunidades de melhoria na evolução da maturidade digital do agronegócio. A primeira delas está na otimização de processos e eficiência. O tema lidera com 21%, acima da média de todas as indústrias. Em seguida, aparece a cultura de inovação e experimentação, com 18%.
“Os dados mostram que o setor reconhece a importância de testar, aprender e evoluir. A alternativa é a definição de estratégia e roteiro, pouco citada no agronegócio (5%), em comparação com 14% na média geral. Embora seja uma das maiores lacunas em outros setores, no agro ainda não é percebida como um ponto crítico de evolução, o que pode indicar maior foco em melhorias táticas e operacionais de curto prazo, em vez de um planejamento estruturado”, complementa Mayra Theis.
O ITDBr mostra que o agronegócio tem, portanto, a oportunidade de evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação estratégica, capaz de reinventar modelos de negócio, ampliar sua competitividade global e sustentar o crescimento no longo prazo.

