Agro exporta US$ 10,8 bilhões em janeiro e mantém superávit de US$ 9,2 bilhões
18-02-2026
Proteínas lideram embarques e China concentra 20% das vendas externas
Por Andréia Vital
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, recuo de 2,2% na comparação com igual mês de 2025. Apesar da queda no valor, o volume embarcado avançou 7%, enquanto o preço médio recuou 8,6%, refletindo a acomodação das cotações internacionais de commodities, conforme sinalizado pelo Índice de Preços de Alimentos da FAO.
O resultado foi o terceiro maior da série histórica para meses de janeiro e respondeu por 42,8% das exportações totais do país no período. Do lado das importações, as compras externas do agronegócio atingiram US$ 1,7 bilhão, baixa de 11,2%, o que garantiu superávit comercial de US$ 9,2 bilhões, ligeira retração de 0,4% sobre um ano antes.
O ranking de destinos permaneceu estável. A China liderou as compras com US$ 2,1 bilhões, equivalente a 20% do total exportado pelo setor. Na sequência aparecem União Europeia com US$ 1,7 bilhão e participação de 11%, e Estados Unidos com US$ 705 milhões, ou 6,6% do total.
As vendas para países da Associação das Nações do Sudeste Asiático cresceram 5,7% frente a janeiro de 2025, sinalizando avanço em mercados como Filipinas, Vietnã e Indonésia. Entre os maiores aumentos absolutos de compras destacaram se Emirados Árabes Unidos, com alta de US$ 127,3 milhões e 58,5%, Turquia com US$ 72,2 milhões e 72,18%, Filipinas com US$ 67,2 milhões e 90%, além de Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos.
Na pauta setorial, as carnes lideraram com US$ 2,58 bilhões, 24% do total exportado e avanço de 24% sobre janeiro de 2025. O complexo soja somou US$ 1,66 bilhão, 15,4% do total e alta de 49,4%. Produtos florestais alcançaram US$ 1,38 bilhão, queda de 8,8%, enquanto cereais, farinhas e preparações registraram US$ 1,12 bilhão, aumento de 11,3%. Café totalizou US$ 1,10 bilhão, recuo de 24,7%, e o complexo sucroalcooleiro US$ 750 milhões, baixa de 31,8%.
A carne bovina in natura foi o item de maior valor exportado, com US$ 1,3 bilhão e volume de 231,8 mil toneladas embarcadas para 116 países. As compras dos Estados Unidos cresceram 93% no período.
Produtos de nicho também atingiram marcas históricas. A glicerina em bruto registrou US$ 46,9 milhões, alta de 114,9%, e 73,41 mil toneladas, avanço de 15,2%. O óleo de milho somou US$ 21,8 milhões, crescimento de 335,8%, com 18,07 mil toneladas, aumento de 232,2%. Mamões frescos alcançaram US$ 6,36 milhões, alta de 17,3%, e 4,56 mil toneladas. Pargos totalizaram US$ 5,84 milhões, expansão de 29,1%, e 714,54 toneladas. Cerveja atingiu US$ 19,86 milhões, aumento de 3,6%, e ovos US$ 14,7 milhões, alta de 9,2%.
Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o desempenho reflete avanços sanitários e negociações comerciais conduzidas pelo governo. O Brasil foi reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação, recuperou o status de livre de influenza aviária após um foco isolado e obteve a retirada de tarifa adicional dos Estados Unidos para uma lista de produtos, incluindo carne bovina in natura.
De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, desde 2023 foram abertos 535 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro, sendo 10 apenas em janeiro de 2026.

