Ajustes em pneus e lastro reduzem quebras e consumo em tratores
06-01-2026

Falhas de calibragem e distribuição de peso distorcem diagnóstico do equipamento, diz Douglas Rocha no IX Seminário GMEC

Por Andréia Vital

Erros de ajuste em pneus, lastro e relação peso potência estão por trás de parte relevante das quebras atribuídas ao trator e de custos invisíveis de operação no campo. A avaliação foi apresentada por Douglas Rocha, key account da AGCO Valtra, durante palestra no IX Seminário GMEC, realizado no final de novembro, em Ribeirão Preto – SP.

Rocha afirmou que a combinação de calibragem inadequada, uso excessivo de água no pneu e falta de checagem do avanço cria um cenário típico de diagnóstico equivocado. “Aí quebra a transmissão, quebra a tração dianteira. O trator não presta, o trator quebrou. Poxa, não é bem isso. Vamos olhar direitinho”, disse, ao defender que a causa frequentemente está no acerto de conjunto, não no produto em si.

O executivo relatou casos em que o trator chega ao campo com lastro líquido acima do necessário e sem distribuição coerente de massa entre os eixos, o que compromete tração, eleva consumo e acelera desgaste. Em um exemplo citado, ele afirmou ter encontrado máquina com cerca de 75% de água nos pneus e sem compensação adequada por pesos metálicos. Ao revisar o ajuste, o ganho foi imediato. “Eu tirei uma tonelada, tirei mil litros de água. Não perdi, não fiz mais nada. O psicológico do trator mudou”, afirmou, ao associar o resultado à melhora de dirigibilidade e resposta em operação.

Rocha enfatizou que decisões de padronização por hábito, sem base técnica, tendem a gerar resultados ruins. Ele citou a variação de pressões praticadas no dia a dia e a ausência de consulta a tabelas técnicas como fonte de inconsistência entre operações. “Ah, porque é o padrão da usina. Para com isso. Isso é técnica”, disse, ao defender que a calibragem precisa respeitar o peso por pneu, o tipo de pneu e a aplicação.

Na apresentação, ele listou pontos que considera básicos para reduzir falhas e estabilizar desempenho. Entre eles estão a coleta de informações do conjunto, a identificação correta de potência e necessidade de peso, a distribuição de lastro metálico e líquido, a pressão de ar adequada e a verificação do avanço, parâmetro que, segundo ele, costuma ser ignorado. “Ninguém faz. Eu vi gente ser mandada embora porque quebrava transmissão e o coitado não sabia o que era avanço. Não é isso. Eu preciso ser técnico e entender o que o trator entrega”, afirmou.

O palestrante também chamou atenção para situações de pneus duplados com diferenças de altura e desgaste, o que pode provocar desequilíbrio e sobrecarga em componentes. Segundo Rocha, não basta repetir a mesma pressão nos dois pneus quando há diferença de condição e montagem, e a correção pode envolver ajuste fino, como reduzir pressão no pneu externo e evitar água no lado de fora, conforme o caso. A lógica, disse, é preservar transmissão, reduzir consumo e manter o conjunto dentro de limites operacionais.

Além do custo mecânico, p técnico vinculou o tema à conservação do solo. Para ele, o aumento do peso das máquinas e o uso inadequado de lastro afetam a resiliência do solo e ampliam risco de compactação, com impacto direto em produtividade. “A resiliência natural do solo é alterada cada vez que eu coloco peso. As máquinas cada vez mais pesadas. Eu preciso olhar para o solo, conservação do solo e conservação da água”, afirmou.

Na parte final, Rocha defendeu que ajustes de campo não são detalhe, mas requisito de gestão. Segundo ele, perguntas comuns de produtores e equipes operacionais, como quando tirar peso, quando deslastrear, qual pressão usar no transporte e na operação e qual avanço manter, têm respostas objetivas em tabelas e medições simples.

“Não é opcional. Planejamento e ajuste correto evitam gasto, evitam quebra e entregam resultado”, disse, ao se colocar à disposição para orientar equipes sobre procedimentos e parâmetros de configuração.

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