Ameaça de tarifa dos EUA reacende alerta sobre dependência de ureia importada
14-01-2026
Insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados é o principal produto do Irã comprado pelo Brasil
Por Danton Boatini Júnior — São Paulo
Principal produto comprado do Irã foi a ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados — Foto: Canva/ Creative Commoms
A intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre países que mantenham relações comerciais com o Irã, deixou setores do agronegócio brasileiro em alerta. Na segunda-feira (12/01), Trump manifestou esse desejo em postagem em uma rede social.
As exportações do agro brasileiro para o Irã totalizaram US$ 2,92 bilhões em 2025, puxadas especialmente pelo grupo cereais, farinhas e preparações, com US$ 1,98 bilhão. A receita coloca o país do Oriente Médio como o 11º principal destino dos produtos agropecuários do Brasil.
Mas a importância do Irã para o agro vai além dos produtos que consome. Dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que as importações brasileiras vindas do Irã somaram US$ 84,5 milhões em 2025. O principal produto comprado foi a ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.
Somente a ureia respondeu por US$ 66,8 milhões do total importado no ano, com um volume de aproximadamente 184,7 mil toneladas, segundo o levantamento oficial. Na sequência aparecem produtos como pistache, uvas secas e outras frutas, com participação bem menor no valor total.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência De Mercado da StoneX, o Irã é um dos maiores exportadores globais de ureia, de modo que qualquer tensão no Oriente Médio gera temor sobre a oferta global de nitrogenados. Os maiores fornecedores de ureia para o Brasil, em 2025, foram Nigéria, Omã e Catar. No entanto, há suspeitas no mercado de que cargas iranianas chegam ao Brasil por outras bandeiras, uma vez que os iranianos já são alvos de sanções internacionais.
Na avaliação de Pernías, o cenário geopolítico deixa clara a necessidade de o país reduzir a dependência dos fertilizantes importados. "Caso o Brasil aumente a oferta de nitrogenados produzidos internamente, isso pode colaborar para aliviar ou amortecer em alguma medida esses impactos", analisa.
A intenção da Petrobras de retomar a produção de fertilizantes pode mudar esse panorama nos próximos anos, segundo o analista. "Mas, como o Brasil importa uma grande quantidade de ureia, e inicialmente a produção da Petrobras vai estar em quantias bem menores, o Brasil vai continuar importando volumes importantes de ureia, sulfato de amônia e de nitrato", observa Pernías.
Fonte: Globo Rural

