Armazenamento de carbono: oportunidade de receita para usinas com investimento zero
14-07-2026

A tecnologia de captura e armazenamento de carbono (Carbon Capture and Storage - CCS na sigla em inglês) abre nova oportunidade de receita para as usinas de etanol com investimento zero. O assunto será apresentado em detalhes na segunda edição do Carbonless Summit, evento que será realizado em 02 de setembro no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), localizado no mesmo espaço onde é realizada a Agrishow em Ribeirão Preto (SP), polo do setor sucroenergético nacional.

A cadeia de CCS passa por tecnologias desenvolvidas e aperfeiçoadas há anos no desenvolvimento de técnicas de produção de petróleo. Toda a ciência e tecnologia de ponta já consagradas na indústria do petróleo agora estão prontas para ampliar a sustentabilidade do setor sucroenergético, em particular do etanol, abrindo caminho para uma pegada negativa de carbono de um segmento que hoje já reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa. 

Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o Carbonless Summit também abordará regulação, licenciamento e mercado de armazenamento de carbono para as usinas de etanol. Além de toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético, o evento reunirá autoridades e o ecossistema de prestadores de serviços de CCS – de tecnologia, engenharia, passando por finanças, seguro, escritórios de advocacia e consultoria, entre outros.

Na entrevista abaixo, Everton Oliveira, um dos organizadores do evento e presidente da Hidroplan, dá mais detalhes:

Como funciona a tecnologia de armazenamento de carbono (Carbon Capture and Storage - CCS) nas operações das usinas de etanol?

Everton Oliveira: No caso das usinas de etanol, a tecnologia tem o título específico de BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage, na sigla em inglês). O CO2 gerado na fabricação de etanol está praticamente pronto para ser estocado, devido ao seu elevado grau de concentração – diferentemente de outros setores em que o CO2 precisa ser separado de outros gases. Nesta agenda, o CO2 proveniente da fabricação de etanol ao ser armazenado de forma permanente em depósitos geológicos seguros previamente identificados produz, na prática, um biocombustível de “pegada negativa”, porque retira definitivamente da atmosfera o CO2, que originalmente já havia sido capturado da atmosfera pela cana.

Quais são as oportunidades de receita que despontam para as usinas de etanol com o armazenamento de carbono?

Everton Oliveira: De forma direta, as principais fontes de receita são, em primeiro lugar a venda do CO2 gerado na fabricação do etanol a uma empresa que fará o armazenamento no depósito geológico para negociar os créditos de carbono. Outra possibilidade, envolve a venda do CO2 e também parte da receita que será obtida com o crédito de carbono – o que passa por negociação entre as partes. Outro formato contempla a usina se associar à empresa que armazenará o carbono, lucrando assim na venda e com o crédito de carbono, bem como com a valorização da companhia. Além disso, a oportunidade de vender o etanol de pegada negativa a um valor premium, geração de mais CBios a partir de nota mais alta no RenovaBio, acesso a fundos globais bilionários dedicados à sustentabilidade, ingresso diferenciado a mercados verdes em expansão como os de aviação e navegação comercial são outras possibilidades que também se abrem.

Existem modelos de negócios que preveem o arranque de projetos sem a necessidade de investimento direto por parte das usinas?

Everton Oliveira: Existem sim, que é justamente o modelo de negócios em que a usina vende o carbono a uma outra empresa que irá armazená-lo. Isso torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo para a usina. O mesmo raciocínio, por exemplo, aplicado ao bagaço da cana ou à vinhaça, que de sobras e resíduos passaram a ter valor de mercado para geração de energia e como fertilizante, respectivamente, passa a valer também para o carbono. 

Quais segmentos da economia, entre prestadores de serviços, fabricantes de equipamentos, desenvolvedores tecnológicos, também podem ter boas oportunidades a partir do negócio ligado ao armazenamento de carbono?

Everton Oliveira: O segmento de armazenamento de carbono é naturalmente um ecossistema complexo no bom sentido da expressão ao colocar sob seu guarda-chuva uma série de ramos de negócios, em que um apoia o outro. Isso vai desde os prestadores de serviços técnicos – captura e desidratação do CO2, transporte, injeção no solo, geólogos, geofísicos, engenheiros de perfuração –, passando por escritórios de advocacia, instituições financeiras, fundos de investimento, seguradoras, consultorias, e assim por diante. É uma quantidade imensa de profissionais de alto nível e de mão de obra altamente qualificada.

SERVIÇO:
Carbonless Summit - 2ª. edição
Data: 02 de setembro de 2026
Local: Centro de Convenções da Cana do IAC (Agrishow), Ribeirão Preto (SP)