Aumento do ICMS da gasolina deve gerar receita de R$ 66 milhões ao governo de MS
12-01-2026

Aumento do ICMS da gasolina deve gerar receita de R$ 66 milhões ao governo de MS - Gerson Oliveira/Correio do Estado
Aumento do ICMS da gasolina deve gerar receita de R$ 66 milhões ao governo de MS - Gerson Oliveira/Correio do Estado

Reforço esperado com o combustível fóssil em 2026 tenta compensar queda na arrecadação com o gás natural

Por SÚZAN BENITES

O aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis deve garantir um reforço relevante no caixa do governo de Mato Grosso do Sul neste ano.

Somente com o reajuste aplicado à gasolina, a estimativa é de uma arrecadação adicional de R$ 66 milhões ao longo do ano, resultado direto do aumento de R$ 0,10 por litro autorizado pelos estados e pelo Distrito Federal desde 1º de janeiro.

O impacto fiscal ocorre em um momento estratégico para o Estado, que registrou queda expressiva na arrecadação com o gás natural no ano passado, em razão da redução das importações e, consequentemente, da base de incidência do imposto.

Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) mostram que, em 2025, Mato Grosso do Sul destinou US$ 807,908 milhões à compra de gás natural ao longo do ano.

Como o ICMS incidente sobre o gás é de 17%, a arrecadação estadual somou cerca de US$ 137,34 milhões no período. Considerando a cotação média do dólar no ano passado, esse valor corresponde a aproximadamente R$ 767,6 milhões em receitas para os cofres públicos.

O montante ficou significativamente abaixo do registrado em 2024, quando o Estado importou cerca de US$ 1,160 bilhão em gás natural. Naquele ano, a arrecadação com ICMS atingiu US$ 197,2 milhões, o equivalente a R$ 1,063 bilhão, resultando em uma perda estimada de R$ 295,7 milhões na comparação entre os dois períodos.

É nesse contexto de frustração de receitas no segmento energético que o aumento do ICMS dos combustíveis líquidos ganha relevância para o equilíbrio fiscal estadual. Além do aumento da gasolina, o óleo diesel tem um incremento de R$ 0,05 por litro e de R$ 0,08 por quilo de gás de cozinha.

INCREMENTO

De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), o reajuste atende à legislação que instituiu a cobrança de um valor fixo por litro ou por quilo de combustível, válida em todo o território nacional e atualizada anualmente.

Neste ano, a alíquota do ICMS da gasolina passa a ser de R$ 1,57 por litro, o que representa um aumento de R$ 0,10 em relação ao valor anterior.

Em Mato Grosso do Sul, a média de consumo mensal gira em torno de 55 milhões de litros de gasolina. Com o reajuste, esse acréscimo de R$ 0,10 por litro representa um aumento imediato de R$ 5,5 milhões por mês na arrecadação estadual. No acumulado de um ano, o reforço deve alcançar R$ 66 milhões apenas com a elevação da alíquota.

O aumento do ICMS nos combustíveis resultou em incremento de R$ 0,10 por litro de gasolina e de R$ 0,05 no óleo diesel em todo o País - Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Quando considerada a arrecadação total do ICMS incidente sobre a gasolina, o volume de recursos é ainda mais expressivo.

Com a alíquota cheia de R$ 1,57 por litro e o consumo médio mensal registrado no Estado, a receita mensal com o combustível chega a cerca de R$ 86,3 milhões. Em termos anuais, a projeção aponta para uma arrecadação de R$ 1,036 bilhão somente com a gasolina neste ano.

Conforme destacou o Comsefaz em nota, o modelo atual de alíquota fixa busca reduzir perdas de arrecadação em cenários de elevação de preços e foi adotado após a aprovação da lei complementar de 2022, que limitou a autonomia dos estados.

Segundo o comitê, no primeiro ano de vigência da legislação, estados e municípios acumularam perdas fiscais superiores a R$ 100 bilhões.

CONSUMO

O impacto do aumento do imposto é sentido diretamente pelo consumidor, conforme destacou o Correio do Estado, na edição de sábado.

Segundo o diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto, o reajuste é integralmente tributário e chega de forma imediata às bombas.

“Esse reajuste é exclusivamente tributário e tende a ser refletido no preço final dos combustíveis, independente de outros fatores como preços da Petrobras, margens, fretes ou adicionamento do biocombustível”, afirmou.

Mesmo antes da mudança na alíquota, os combustíveis já vinham registrando alta. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, em dezembro de 2025, o litro da gasolina ficou até R$ 0,06 mais caro em Mato Grosso do Sul.

O preço mínimo passou de R$ 5,47 no fim de novembro do ano passado para R$ 5,53 na última semana de dezembro de 2025. Na média, o valor subiu de R$ 5,93 para R$ 5,95.

O etanol também apresentou aumento, com alta média de R$ 0,04 no período, enquanto o diesel comum teve leve redução no preço médio.

Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) apontou que, em dezembro do ano passado, o Centro-Oeste registrou altas moderadas nos preços da gasolina, do etanol e do diesel comum, refletindo fatores sazonais de demanda.

Outro fator que pode pressionar os preços neste início de ano é a defasagem em relação ao mercado internacional.

Relatório da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostra que o preço da gasolina comercializada pela Petrobras está cerca de 9% abaixo do valor de paridade internacional, enquanto o diesel apresenta defasagem de 2%, cenário que mantém no radar a possibilidade de novos reajustes.

Fonte: Correio do Estado