Bioenergia brasileira enfrenta barreiras no debate global da transição energética
19-12-2025

Estudo aponta que solução responde por 60% da energia renovável do país, mas segue com reconhecimento limitado no cenário internacional

Por Andréia Vital

A transição energética se firmou como um dos principais desafios globais ao exigir a redução consistente das emissões de gases de efeito estufa e a reorganização dos sistemas de produção e consumo de energia. Em países de clima tropical, como o Brasil, soluções de baixo carbono já consolidadas, entre elas a bioenergia, ocupam posição relevante nas matrizes energéticas e sustentam modelos de descarbonização em larga escala.

Apesar desse histórico, a bioenergia brasileira ainda enfrenta resistência no cenário internacional. Em diferentes fóruns multilaterais e marcos regulatórios, critérios ambientais e metodológicos acabam favorecendo tecnologias predominantes em países desenvolvidos, enquanto alternativas consolidadas em regiões tropicais seguem submetidas a restrições que extrapolam o debate técnico.

Estudo do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, no âmbito do Observatório de Bioeconomia, mostra que a bioenergia responde por cerca de 60% de toda a energia renovável consumida no Brasil, proporção sem paralelo entre grandes economias. Ainda assim, o reconhecimento desse desempenho permanece limitado no debate global sobre a transição energética.

A análise indica que o entrave vai além da eficiência ambiental e reflete disputas políticas e econômicas que moldam as regras da governança climática e do comércio internacional de energia. Segundo o estudo, esse ambiente regulatório tende a influenciar de forma crescente a competitividade dos países e o acesso a mercados de bens intensivos em carbono.

Esse contexto ganha relevância à medida que critérios climáticos passam a orientar políticas públicas, investimentos e fluxos comerciais. Para o Brasil, cuja matriz energética combina forte base renovável e vocação agroenergética, a evolução desse debate será determinante para a valorização de soluções já disponíveis e para a inserção do País na economia de baixo carbono.