Bioinsumos elevam em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná
11-02-2026

Levantamento da Embrapa Soja e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná aponta ganho com coinoculação

O uso de bioinsumos na soja garantiu aumento médio de 8,33% no rendimento das lavouras paranaenses nos últimos dez anos, segundo dados consolidados pelas duas instituições. A estratégia envolve práticas de fixação biológica de nitrogênio com aplicação conjunta de microrganismos benéficos nas sementes.

Na safra 2024/25, foram implantadas 22 Unidades de Referência Tecnológica em 17 municípios do estado. Nessas áreas, o rendimento médio atingiu 3.916 quilos por hectare, enquanto talhões sem aplicação registraram 3.615 quilos por hectare. O desempenho ficou acima da média estadual de 3.663 quilos por hectare e da nacional de 3.561 quilos por hectare, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento.

As unidades foram instaladas em propriedades comerciais com diferentes tipos de solo, condições climáticas, sistemas produtivos e épocas de semeadura. Para André Mateus Prando, pesquisador da Embrapa Soja, e Edivan Possamai, coordenador técnico do projeto Grãos do IDR Paraná, o acompanhamento em campo ao longo das safras demonstrou que a tecnologia amplia o rendimento e elimina gastos com adubação nitrogenada, refletindo diretamente na margem do produtor.

A técnica associa bactérias do gênero Bradyrhizobium a estirpes de Azospirillum brasilense, que estimulam o desenvolvimento radicular e intensificam a captura de nitrogênio atmosférico. Estudos conduzidos por Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira indicam que mesmo em áreas consolidadas, a aplicação anual mantém elevados patamares produtivos sem necessidade de fertilizantes nitrogenados.

No Paraná, 64% dos agricultores consultados relataram uso de inoculantes na temporada 2024/2025. A adoção da combinação entre Bradyrhizobium e Azospirillum alcançou 28% das áreas cultivadas, segundo levantamento da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos com a Kynetec.

Em escala nacional, a prática já cobre 85% dos 47 milhões de hectares destinados à soja. A aplicação conjunta das bactérias avança e está presente em cerca de 35% da área cultivada, conforme dados de mercado de 2024. No ano passado, a tecnologia gerou economia estimada em 25 bilhões de dólares ao substituir fertilizantes nitrogenados e contribuiu para evitar a emissão de mais de 260 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Considerada um dos pilares da sustentabilidade do sistema produtivo, a fixação biológica de nitrogênio supre a demanda da cultura, que necessita de aproximadamente 80 quilos do nutriente por tonelada colhida. A simbiose entre planta e bactérias permite transformar o nitrogênio do ar em compostos assimiláveis, reduzindo custos e reforçando a competitividade da soja brasileira.

Redação com informações da Embrapa