Bioinsumos ganham espaço na cana e reduzem custos
13-02-2026

Produtor relata avanço com produtos da CanaoesteBio

O uso de bioinsumos na cana-de-açúcar avança no Centro Oeste paulista e reforça a estratégia de manejo integrado de pragas nas propriedades associadas à Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste). Na avaliação de produtores, a adoção de soluções biológicas tem ampliado a segurança das aplicações, reduzido a dependência de defensivos químicos e contribuído para a melhora das margens.

Administrador do Grupo Santa Rita e associado da Canaoeste, Roney Sakomura afirma que a mudança de estratégia foi consolidada após a estruturação da CanaoesteBio, biofábrica dedicada ao desenvolvimento e à produção de insumos biológicos voltados à cana-de-açúcar.

Antes da adoção integral dos biológicos, o grupo utilizava produtos químicos com maior frequência e recorria aos biológicos apenas de forma pontual. Com a oferta da biofábrica da associação, as aplicações biológicas passaram a abranger 100% das áreas, enquanto os químicos ficaram restritos a situações específicas, conforme o nível de infestação.

Segundo Sakomura, os bioinsumos se tornaram mais uma ferramenta dentro do manejo integrado de pragas, com menor impacto ambiental e maior segurança na aplicação. Ele destaca que, além do desempenho agronômico, o custo mais acessível em comparação com fornecedores multinacionais contribuiu para melhorar a margem de lucro da operação.

Manejo integrado e rentabilidade na cana

O avanço dos biodefensivos no Brasil tem sido apontado por consultorias e entidades setoriais como uma tendência estrutural no agronegócio, impulsionada por ganhos em eficiência e pela busca por práticas mais sustentáveis. No caso da cana de açúcar, o produtor relata que os resultados têm sido satisfatórios no médio e no longo prazo, sobretudo na estabilidade do controle de pragas.

Do ponto de vista operacional, o armazenamento e o transporte em baixas temperaturas representaram um desafio inicial. A adaptação, porém, foi incorporada à rotina da fazenda sem alterar os protocolos de segurança. Mesmo com baixa toxicidade, os cuidados na aplicação permanecem equivalentes aos adotados com químicos.

Entre os benefícios ambientais percebidos está a maior preservação da fauna, especialmente dos inimigos naturais das pragas, além da redução de riscos à saúde dos colaboradores. Para o administrador, o uso recorrente de biológicos fortalece a lógica de uma agricultura regenerativa, com ganhos para o solo e para a biodiversidade.

Associativismo fortalece modelo produtivo

Na avaliação do produtor, o modelo associativista tem papel central na viabilização desse avanço tecnológico. Ele afirma que a união de forças entre os canavicultores cria melhores condições sociais, ambientais e econômicas em um setor marcado por forte concorrência.

A intenção do Grupo Santa Rita é manter os bioinsumos como principal ferramenta de controle nas áreas cultivadas, ajustando o uso de químicos conforme o nível de pressão de pragas. A experiência, segundo Sakomura, confirma que é possível ampliar a rentabilidade no longo prazo com menor impacto ambiental e maior previsibilidade no manejo da cana.

Fonte: Canaoeste