Biometano avança no país e Bioo anuncia nova usina no Paraná
10-02-2026
Projeto em Toledo prevê produção anual de 11 milhões de m³
Por Andréia Vital
O uso do biometano tem ganhado escala no Brasil, impulsionado pela transição energética, pela maior valorização de resíduos orgânicos e pela busca por alternativas ao gás natural de origem fóssil. Nesse movimento, a Bioo Paraná Holding S.A anunciou a construção de uma usina de biometano em Toledo, no oeste do Paraná, com investimento total estimado em R$ 196 milhões.
A implantação da unidade será viabilizada por financiamento de R$ 148,5 milhões aprovado e contratado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do total, R$ 101,5 milhões são provenientes do Fundo Clima e R$ 47,1 milhões da linha Finem. O projeto foi estruturado para produzir cerca de 11 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, com potencial de evitar aproximadamente 80 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente anualmente.
Além do combustível renovável, a usina também produzirá fertilizante de matriz orgânica, amplamente utilizado na agricultura regional. O processo industrial prevê ainda a captura e purificação do CO₂ biogênico até grau alimentício, destinado a usos industriais, como o setor de bebidas, em substituição ao CO₂ de origem fóssil, ampliando o efeito de descarbonização da cadeia produtiva local.
Durante a fase de construção, o empreendimento deve gerar cerca de 210 empregos diretos e indiretos, com expectativa de manutenção de aproximadamente 90 postos de trabalho após o início da operação. A matéria-prima utilizada será composta por resíduos orgânicos de grandes geradores da região, com destaque para a cadeia de proteína animal, fortalecendo a lógica de aproveitamento energético desses fluxos.
A Bioo Paraná Holding S.A é subsidiária da Bioo Investimentos e Participações S.A, controlada pela Cótica Energia, grupo com atuação no desenvolvimento de projetos de biogás e biometano. O capital do empreendimento conta ainda com a participação do fundo eB BIP, gerido pela Flying Rivers Capital, e da BNDESPar, em uma estrutura societária voltada à viabilização financeira e à expansão de ativos de energia renovável no país.

