Brasil avança no Mapa do Caminho com foco em biocombustíveis e transição justa
26-02-2026

Créditos da imagem: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Créditos da imagem: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

“Uma transição justa, equitativa e equilibrada.” Esse é o conceito do “Mapa do Caminho”, iniciativa que norteia o debate sobre a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes de menor emissão de carbono e que motivou a reunião da Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira (26), em Brasília. O presidente da SIAMIG Bioenergia e da Bioenergia Brasil, Mário Campos, participou do encontro e defendeu o protagonismo dos biocombustíveis na construção desse novo cenário energético.

Promovido pela Comissão Especial de Transição Energética, o seminário apresentou ações em curso no Brasil e no mundo para a consolidação do chamado “mapa do caminho”, com foco na redução gradual do uso de petróleo, carvão e gás natural. Os biocombustíveis ganharam destaque nas discussões, com ênfase nas oportunidades econômicas e ambientais para o Brasil.

Durante o encontro, o presidente da comissão especial e coordenador da Coalizão dos Biocombustíveis no Congresso Nacional, deputado Arnaldo Jardim, apresentou um esboço de projeto de lei do “mapa do caminho”, que ficará aberto a sugestões da sociedade até 3 de março. O lançamento da proposta consolidada está previsto para o dia 9 de março, em São Paulo. 

“Nós queremos a transição e a afirmação do mapa do caminho: tem que ser feita em harmonia com aquilo que é uma realidade dos combustíveis fósseis. Não nos anima, portanto, uma pregação simplesmente de que nós revogaremos ou cancelaremos isso do dia para a noite”, afirmou o parlamentar.

Ao se manifestar, Mário Campos ressaltou que o Brasil trabalha, na prática, com dois “mapas do caminho”: o nacional e o internacional. Segundo ele, no âmbito interno, o país construiu um arcabouço legal que o coloca na vanguarda da transição energética. Ele citou a política do Combustível do Futuro, que elevou a mistura de etanol na gasolina para 30%, com meta de alcançar 35%, além de instrumentos que ampliam e diversificam o uso de biocombustíveis, como o SAF (combustível sustentável de aviação), o biometano com captura e armazenamento de carbono (CCS) e o RenovaBio.

Mário lembrou que o RenovaBio, está por trás de todos esses avanços regulatórios e estruturantes do setor. Para ele, entretanto, o aspecto mais relevante da construção do mapa do caminho brasileiro é a união institucional. 

“Nos últimos anos, nunca estivemos tão unidos pela construção desse marco legal. Pela primeira vez, talvez na história, conseguimos alinhar produtores de cana, de biocombustíveis, de matéria-prima, com produtores de automóveis, distribuidores de combustíveis, governo e Parlamento. Foi uma construção que tem hoje uma coalizão muito bem formada”, destacou.

No cenário internacional, o presidente avaliou que o desafio é ainda maior. Ele recordou que, ao longo dos anos, o setor sucroenergético brasileiro acumulou experiência e colaborou com outros países. Como exemplo, citou a parceria com a Índia, que já possuía forte potencial agrícola e produção de cana-de-açúcar, mas avançou na diversificação para biocombustíveis e atualmente mistura 20% de etanol à gasolina.

Apesar do potencial brasileiro, Mário alertou para um cenário desafiador a partir de 2026, quando o país deverá conviver com uma oferta de etanol superior à demanda interna. Para ele, essa realidade reforça a necessidade de posicionar o Brasil como grande fornecedor internacional de soluções sustentáveis. O dirigente defendeu que o país direcione esforços para mercados com oportunidade conceitual e potencial de exportação, inserindo o etanol e outros biocombustíveis brasileiros como alternativas estratégicas na transição energética global.

“O conceito do mapa do caminho é uma transição para longe dos combustíveis fósseis de forma justa, equitativa e equilibrada. Essa é a nossa meta, para enquadrarmos tudo o que já fazemos dentro desse processo”, concluiu.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Fonte: SIAMIG Bioenergia