Brasil deve diversificar parcerias em cenário multipolar
02-03-2026
Magnotta afirma que agro é ativo geopolítico estratégico
Por Andréia Vital
O Brasil precisa ampliar e diversificar suas parcerias comerciais, evitando alinhamentos excludentes em um sistema internacional cada vez mais multipolar. A avaliação é de Fernanda Magnotta, PhD, Senior Fellow no Brazil Institute, em Washington, e no CEBRI, durante o Agrotalk Mind 2026, realizado no Theatro Municipal de São Paulo, nesta segunda-feira (23).
Especialista em política externa dos Estados Unidos e nas relações entre EUA, China e América Latina, a analista destacou que o agronegócio brasileiro ocupa posição estratégica no comércio global ao fornecer alimentos, energia e commodities em um ambiente marcado por disputas comerciais, reorganização de cadeias produtivas e maior exigência regulatória.
Segundo ela, a União Europeia é relevante tanto pelo acesso a mercado e possível redução de barreiras quanto pelo alinhamento regulatório em sustentabilidade e rastreabilidade. Na avaliação da especialista, o acordo com o bloco deve ser compreendido como movimento geopolítico, além de agenda econômica.
Durante o painel, foram apresentados dados que mostram a dependência brasileira de grandes parceiros comerciais. A China responde por cerca de 30% das exportações do Brasil, enquanto os Estados Unidos concentram aproximadamente 12,5%, com fluxo bilateral em torno de US$ 40 bilhões. Para Fernanda, manter diálogo simultâneo com esses polos, além da Europa, é essencial para reduzir riscos e ampliar oportunidades ao agronegócio.
A palestrante também apontou mudanças estruturais no cenário internacional, como o crescimento populacional na África, o envelhecimento da população na Ásia e o avanço da urbanização global. Esses fatores, segundo ela, tendem a ampliar a demanda por alimentos, energia e proteína animal, reforçando a dimensão estratégica da segurança alimentar e energética.
O Agrotalk Mind & Da Porteira Para o Mundo Vol. 2 reuniu, em 23 de fevereiro, 40 empresas e instituições no Theatro Municipal de São Paulo para debater agro, geopolítica e inserção internacional do Brasil. O encontro propôs integrar agronegócio, turismo rural, educação e cultura em torno da competitividade do país no comércio global.

