BrasilAgro voltou ao lucro no segundo trimestre
06-02-2026
Resultado líquido foi de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (ano-safra 2025/26), encerrado em dezembro
Por Clarice Couto — São Paulo
A BrasilAgro, companhia focada no desenvolvimento e comercialização de terras e produção de grãos, cana-de-açúcar, algodão e gado, registrou lucro líquido de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (ano-safra 2025/26), encerrado em dezembro — um ano antes, havia tido prejuízo de R$ 19,6 milhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado total somou R$ 6,995 milhões no período, 77% abaixo do período correspondente do ano anterior. Já a receita cresceu 25%, para R$ 191,058 milhões.
O recuo no Ebitda se deu, principalmente, em razão de perdas em canaviais do Estado de São Paulo, decorrentes de geadas, e no Maranhão, disse o diretor financeiro e de relações com investidores, Gustavo Javier Lopez, em entrevista a jornalistas.
No comunicado com os resultados, a companhia informou que colheu cerca de 1,741 milhão de toneladas de cana em 2025, abaixo dos 2,272 milhões de toneladas estimados inicialmente. Para a safra 2026, a empresa espera produzir 2,1 milhões de toneladas de cana com a renovação de canavial e “normalização” das condições produtivas, segundo a empresa.
“Tivemos um resultado que não era o que esperávamos na cana e isso afetou fortemente o Ebitda”, afirmou Lopez. “A expectativa é toda para a frente”, continuou.
Para os próximos trimestres, o cenário se mostra promissor, especialmente para as culturas de soja e milho, que junto com a cana geram entre 80% e 90% do resultado da empresa, segundo a head de RI, comunicação e mercado de capitais, Ana Paula Ribeiro.
A safra de soja foi “muito bem plantada” nas regiões onde a empresa atua e receberam chuvas bem distribuídas em São Paulo e na região Centro-Oeste, ainda que não tão boas até o momento no Maranhão, segundo Lopez.
A BrasilAgro também aproveitou os momentos de câmbio favorável para antecipar o pagamento de fertilizantes e defensivos químicos, o que pode reduzir o custo por hectare cultivado com soja em 6% a 7%, de acordo com o executivo.
Outra medida adotada foi a venda de quase 60% da safra de soja esperada para 2025/26 por preços acima dos projetados inicialmente. “Isso deve nos ajudar a melhorar um pouco a margem, que estava muito apertada”, afirmou o executivo.
Quanto ao milho, a companhia vendeu entre 20% e 25% da produção esperada, e o restante está sendo negociado com empresas do mercado interno, inclusive com usinas de etanol. “Neste ano ficamos com margem muito positiva porque as indústrias de etanol de milho estão dando oportunidade de negociar até com prêmio”, disse Lopez.
Apesar do Ebitda menor no primeiro semestre da safra, a BrasilAgro reforçou no comunicado sobre os resultados que manteve um ritmo relevante de investimentos, com foco em transformação e reestruturação de áreas, além da expansão de projetos de irrigação.
Na entrevista, Lopez também enfatizou boas perspectivas para a operação no Paraguai, onde a companhia planeja fazer um confinamento de gado bovino próximo às lavouras de milho para aumentar o valor obtido com o grão. Conforme o executivo, pecuaristas do país têm conseguido se posicionar positivamente no atendimento à demanda dos Estados Unidos por carne bovina, o que tem sustentado os preços do produto.
Fonte: Globo Rural

