Caeté adota gotejamento com lâmina diária de 2 milímetros, e sem redução de produtividade
06-11-2026

Na Usina Caeté, em São Miguel dos Campos (AL), a irrigação por gotejamento subsuperficial com lâmina de apenas 2 milímetros por dia mostra resultados no canavial. Durante visita do Tour da CanaOnline, o engenheiro agrônomo Marcelo Augusto apresentou uma área da variedade RB 08791, com nove meses e meio, caminhando para o terceiro corte.

Na safra passada, o talhão registrou 149 toneladas de cana por hectare (TCH) e 19,7 toneladas de açúcar por hectare (TAH). A meta é repetir a produtividade. Segundo Marcelo, a baixa lâmina pode causar receio diante da evapotranspiração, mas o desenvolvimento da lavoura, já totalmente fechada, evidencia a resposta ao manejo.

O foco não está apenas no volume de cana, mas na produção de açúcar. Cerca de 45 dias antes da colheita, a usina utiliza um pré-maturador nutricional; entre 20 e 30 dias antes, entra com maturador químico. Nesse período, reduz gradualmente a irrigação de 2 para 1,5 milímetro por dia e, ao final, para 1 milímetro.

A água não é totalmente suspensa devido ao risco de intrusão radicular no sistema. Conforme explica o agrônomo, a decisão também considera o intervalo até a colheita mecanizada, evitando que o canavial permaneça por muito tempo sem irrigação.

O dimensionamento de apenas 2 mm diários não foi um palpite.

A usina, em parceria com a Netafim, analisou o histórico de 50 anos de dados de precipitação da região. O estudo comprovou que a aplicação constante de 2 mm — combinada com as chuvas naturais da região — seria suficiente para suprir a necessidade hídrica do canavial colhido até o mês de dezembro, evitando que a planta entre em estresse.

A nutrição segue uma programação semanal, de 15 de agosto até próximo da colheita. Chuvas de 15 a 20 milímetros não interrompem necessariamente esse manejo. Já diante da previsão de chuva intensa, acompanhada por estações meteorológicas, a equipe adia a fertirrigação até a passagem do evento.

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