Canavial sob pressão exige tomada de decisão antes do primeiro desafio aparecer
23-04-2026
Com clima instável, custos em alta e margens pressionadas, a BASF, como parceira do setor canavieiro, reforça uma estratégia de manejo conectando inovação, consistência técnica e proximidade com a realidade do campo, e reforça suas inovações para o Agrishow 2026
Leonardo Ruiz
Diante de um cenário de maior volatilidade climática, custos elevados e pressão sobre a rentabilidade, o setor canavieiro tem buscado eficiência desde o início do ciclo produtivo. A chave está em produzir mais por hectare, com previsibilidade — o que começa antes mesmo do plantio, com planejamento agronômico e manejo integrado.
É justamente essa visão que a BASF Soluções para Agricultura leva à Agrishow 2026, reforçando seu posicionamento como parceira estratégica do setor canavieiro. Durante o evento, a empresa destaca a importância de um manejo antecipado e integrado, combinando soluções para controle de plantas daninhas, nematoides e doenças, com foco em produtividade e longevidade do canavial. A Agrishow ocorre de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto, SP.
“A cana bem-sucedida começa antes do primeiro desafio aparecer”, afirma Rafael Milleo, Gerente de Marketing de Cultivos Cana da BASF Soluções para Agricultura. Segundo ele, o setor canavieiro que planeja e integra tecnologias desde o arranque constrói sistemas mais resilientes e rentáveis ao longo do ciclo.
Na Agrishow, a BASF apresenta seu portfólio voltado aos principais gargalos da cultura, com destaque para soluções como Prowl® H2O, Melyra® e Votivo® Prime, reforçando seu compromisso com resultados consistentes no campo.
Plantas daninhas: falhas no início do ciclo cobram a conta até a colheita
Na avaliação da BASF, os tropeços mais comuns no manejo inicial da cana não se explicam por uma “falha pontual” de produto ou operação, mas pela condução do sistema em sua totalidade. Um exemplo recorrente é subestimar a matocompetição — e o efeito disso costuma ser duradouro.
André Mattiello, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura, afirma que o começo do ciclo é um dos momentos mais sensíveis: a cana ainda está se estabelecendo e qualquer disputa por água, nutrientes ou luz pode comprometer o desenvolvimento de forma estrutural. O resultado aparece em menor perfilhamento, dificuldade para fechar as entrelinhas e perda de vigor.
“Diferentemente de outras situações ao longo do ciclo, a perda causada nesse momento não é totalmente recuperável, porque limita o potencial produtivo desde a base. E, com mais plantas daninhas, o custo operacional sobe: serão necessárias intervenções adicionais ao longo do ciclo”, diz.
Com foco no controle em pré-emergência e na redução da matocompetição no arranque do canavial, a BASF lançou o Prowl® H2O. Segundo a empresa, trata-se de um herbicida residual e seletivo que diminui a emergência de invasoras por metro quadrado e ajuda a manter a lavoura “no limpo” no período mais crítico de estabelecimento.
No campo, um dos principais pontos destacados é o controle de gramíneas logo no início do ciclo, o que contribui para reduzir a competição na fase mais crítica do desenvolvimento.
Outro diferencial citado é a seletividade, com ausência de sintomas de fitotoxicidade em diferentes condições de campo, o que aumenta a segurança para a cultura e favorece um arranque mais vigoroso. A empresa também aponta residual capaz de sustentar o manejo até operações como o quebra-lombo.
A BASF afirma que, em condições adequadas de umidade, o desempenho tende a ser mais consistente e previsível. O Prowl® H2O foi desenhado para integrar programas de controle, em associação com outros herbicidas, como parte de uma estratégia mais ampla de manejo.
Mattiello aponta que um erro frequente é escolher herbicidas sem considerar fatores como umidade do solo, presença de palha e tipo de solo — variáveis que influenciam ativação e eficiência.
“A ausência de programas estruturados, com aplicações isoladas e sem integração entre pré-emergentes, parceiros e sequenciais, limita bastante os resultados”, diz. Ele acrescenta que descuidar da seletividade — com risco de fitotoxicidade — e interpretar mal a janela de aplicação, especialmente em relação à umidade do solo, também compromete o desempenho do manejo.
Com proposta de amplo espectro de controle, residual prolongado e maior capacidade de transpor a palhada, o Prowl® H2O atende ao mercado com formulação à base de água e microencapsulada, possibilitando maior facilidade no preparo e estabilidade na aplicação. A BASF afirma que a tecnologia atende a uma demanda do campo por manejo mais previsível e integrado.

Prowl® H2O é um herbicida residual e seletivo que diminui a emergência de daninhas (Foto: Divulgação BASF)
Nematoides: ameaça invisível pode cortar até 30% da produtividade
Invisíveis a olho nu, os nematoides estão entre os principais problemas fitossanitários da cana-de-açúcar. Em áreas com alta infestação e em variedades suscetíveis, as perdas podem chegar a 30% — e, segundo especialistas, esses parasitas microscópicos já estão presentes na maioria dos canaviais do país.
Na cana, algumas espécies concentram a maior preocupação: nematoides de galhas (Meloidogyne spp.), de cistos (Heterodera glycines/Globodera spp.) e das lesões (Pratylenchus spp.).
Ao parasitar raízes e estruturas subterrâneas, esses organismos prejudicam a absorção de água e nutrientes e travam o desenvolvimento da planta. Embora raramente levem à morte, podem debilitar o canavial a ponto de reduzir de forma relevante a produção de cana e de açúcar por hectare.
Apesar do potencial de dano, Mattiello afirma que os nematoides ainda são subestimados justamente por avançarem “em silêncio”. “Como são invisíveis a olho nu, os sintomas na parte aérea acabam confundidos com deficiência nutricional, compactação do solo ou até variações do ambiente de produção”, explica.
Segundo ele, os prejuízos costumam variar entre 15% e 30% da produtividade. “O mais crítico é que esse dano é cumulativo e compromete principalmente o estabelecimento do canavial. Ao afetar o sistema radicular, o nematoide reduz a absorção de água e nutrientes, limita o desenvolvimento inicial e encurta a longevidade da cultura, impactando não apenas o primeiro, mas os cortes subsequentes”, afirma.
Para enfrentar o problema, a BASF lançou o Votivo® Prime, seu primeiro bionematicida. “O Votivo Prime atua diretamente na rizosfera, região ao redor das raízes onde ocorrem as principais interações biológicas do solo. Após a aplicação, o Bacillus firmus I-1582 coloniza a área e forma uma barreira físico-química que dificulta o acesso e a multiplicação dos nematoides. O produto também interfere no ciclo do patógeno, reduzindo a população ao longo do tempo”, detalha Mattiello.
Além da proteção, o produto pode estimular o desenvolvimento radicular, aumentando capilaridade e volume de raízes e melhorando a eficiência de absorção. “Esse efeito fisiológico se traduz em maior formação de aerênquima e redução da respiração cortical, o que melhora o balanço energético e dá mais vigor à planta. Em resumo: além de proteger, contribui para um sistema radicular mais robusto e funcional”, afirma.
Para o especialista, o manejo biológico traz ganhos que vão além do controle direto. Um deles é a maior uniformidade e vigor do canavial na fase de estabelecimento, considerada a mais sensível. Com raízes mais desenvolvidas, a planta explora melhor o solo, usa água e nutrientes com mais eficiência e tolera melhor períodos de estresse.
Doenças: pressão no canavial exige estratégia, de proteção a incremento de produtividade
Entre os desafios fitossanitários da cana, doenças foliares seguem no radar por comprometerem a área fotossintética e derrubarem o desempenho da lavoura. Duas delas são consideradas chave: a ferrugem alaranjada (Puccinia kuehnii) e a ferrugem marrom (Puccinia melanocephala).
A podridão-abacaxi (Ceratocystis paradoxa) também exige atenção, sobretudo nas fases iniciais. Mais recentemente, cresce o alerta para um complexo associado à murcha e à queima de plantas, envolvendo patógenos como Colletotrichum e Epicoccum.
Nesse cenário, a BASF apresenta o Melyra® como ferramenta para o controle das principais doenças. O fungicida combina dois ingredientes ativos com mecanismos distintos:Piraclostrobina (F500), que age na mitocôndria do fungo ao inibir o complexo III da cadeia respiratória, e Mefentrifluconazole (Revysol®), um Triazol de última geração com exclusivo Efeito Power Flex, que consiste na alta capacidade da molécula se adequar as mutações do fungo para um controle eficiente.
Mais do que combater patógenos, a empresa afirma que o papel do Melyra®, em um programa bem desenhado, é ajudar a preservar o potencial produtivo. Ao proteger contra doenças foliares, o fungicida contribui para manter a área fotossintética ativa ao longo do ciclo — condição decisiva para manutenção da produtividade.
O produto é associado, ainda, a efeitos fisiológicos como maior eficiência no uso de nutrientes, redução da senescência e maior tolerância a estresses, o que favorece o equilíbrio da planta e pode refletir no desempenho da lavoura.

Usina localizada no Oeste Paulista. Variedade CTC4 com duas aplicações de Melyra® com intervalo de 30 dias em época seca (Foto: Divulgação BASF)
A ação preventiva e curativa, somada ao duplo mecanismo de ação, é apontada como estratégia para manejo de resistência, ajudando a aumentar a longevidade das tecnologias no campo. A BASF também cita efeitos sobre processos fisiológicos ligados ao florescimento e à isoporização.
Para Milleo, o Melyra® representa uma evolução ao combinar inovação tecnológica com foco direto em produtividade e sanidade do canavial.
“Mais do que controlar doenças, buscamos oferecer soluções que ajudem a preservar o potencial produtivo da cultura ao longo de todo o ciclo. O Melyra entra como ferramenta para manter a planta saudável, equilibrada fisiologicamente e mais apta a expressar rendimento”, afirma.
Manejo integrado: o que sustenta produtividade e longevidade ao longo dos cortes?
Com tantos fatores pressionando a rentabilidade do setor bioenergético, manter canaviais com alta produtividade por vários cortes virou prioridade. A leitura do mercado, porém, é que não há “atalho”: produtividade e longevidade tendem a ser consequência de um sistema agronômico bem estruturado desde a implantação.
Mattiello afirma que isso passa por decisões técnicas tomadas ainda no começo do ciclo: proteger o arranque, controlar a matocompetição, construir um sistema radicular robusto — preservando a rizosfera e reduzindo o impacto dos nematoides — e manter a área foliar saudável ao longo do desenvolvimento. “Manter a eficiência fisiológica da planta é essencial para sustentar fotossíntese, vigor e acúmulo de biomassa por mais tempo”, diz.
Para ele, essa mudança exige um manejo mais estratégico e integrado. “Em vez de perguntar só qual produto usar para resolver cada problema, o setor deveria perguntar com mais frequência que tipo de lavoura está construindo em cada etapa. Quando o manejo é planejado assim, a produtividade deixa de depender de correções tardias e passa a ser construída de forma consistente — e a longevidade do canavial vira consequência do sistema adotado”, afirma.
Na visão do gerente, a evolução da canavicultura não está apenas em adotar novas tecnologias, mas em conectá-las em uma estratégia agronômica que proteja, ao mesmo tempo, solo, raízes e parte aérea. É essa integração, conclui, que tende a sustentar produtividade e estabilidade ao longo dos cortes e a dar mais fôlego ao negócio.
Para saber mais sobre as inovações que a BASF está levando para a Agrishow 2026, acesse o link: https://agriculture.basf.com/br/pt/protecao-de-cultivos-e-sementes/cultivos/cana-de-acucar

