Capacitação contínua reduz custos e melhora eficiência na cana
24-03-2026

Treinamento e gestão de campo impactam até 70% dos custos

Andréia Vital

A qualificação profissional tem papel direto na redução de custos e no aumento da eficiência na produção de cana-de-açúcar. Durante o 27º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar do Grupo IDEA, Luiz Carlos Dalben, da Dalplan Consultoria, afirmou que a capacitação estruturada, aliada ao acompanhamento em campo, é determinante para melhorar o desempenho operacional e reduzir desperdícios.

Segundo o especialista, treinamentos focados em redução de custos devem priorizar a eliminação de perdas, a otimização de processos e o uso mais eficiente de recursos, sem comprometer a qualidade. Na prática, isso envolve desde o domínio técnico das operações até o entendimento do impacto das decisões no consumo de insumos, no desempenho das máquinas e na qualidade da matéria-prima.

A relevância do tema aumenta diante do peso das operações no custo total. A mecanização e a manutenção concentram entre 65% e 70% dos custos de produção de cana-de-açúcar, o que torna a performance das equipes um fator decisivo para o resultado econômico. Nesse contexto, pessoas, equipamentos e insumos formam o núcleo de gestão, mas a eficiência também depende da interação com solo, clima e manejo da lavoura.

“A capacitação, treinamento, reciclagem e atualização são fundamentais. O treinamento por si só representa cerca de 40% dos resultados, mas os outros 60% dependem do acompanhamento no campo”, afirmou.

Dalben destacou que boa parte dos problemas observados nas usinas está relacionada à execução inadequada das operações. Erros de regulagem, aplicação incorreta de insumos e falhas no manejo do solo comprometem a produtividade e elevam os custos, muitas vezes sem que sejam percebidos de imediato.

Exemplos práticos apresentados mostram desde preparo de solo ineficiente, com baixa profundidade de operação, até aplicação irregular de insumos e tráfego excessivo de máquinas, que agrava a compactação. Esses fatores impactam diretamente o desenvolvimento radicular, a longevidade do canavial e indicadores como produtividade, qualidade da matéria-prima e ATR.

Além disso, a pressão operacional em janelas curtas de plantio e colheita contribui para a negligência no treinamento. “A janela é curta e muitas vezes se passa por cima da capacitação”, disse. Para o consultor, essa decisão tende a gerar custos maiores no médio prazo, com retrabalho, perdas e menor eficiência.

O acompanhamento contínuo foi apontado como o principal diferencial entre empresas com melhor desempenho. Segundo Dalben, o treinamento isolado não garante resultados sem supervisão constante das operações.

A orientação é direcionar esforços para os itens de maior peso nos custos, com base em dados técnicos e administrativos. Isso inclui monitoramento do consumo de combustível, desempenho das máquinas, qualidade das operações e uso de insumos, além da organização das atividades de manutenção.

Práticas como aplicação conjunta de insumos em uma única operação, reduzindo o tráfego de máquinas, e melhoria da organização de oficinas e processos de manutenção também foram destacadas como formas de otimizar recursos e reduzir custos operacionais.

Dalben reforçou que a eficiência operacional depende de uma abordagem integrada, que envolve capacitação técnica, atitude e gestão. O treinamento deve abranger operadores, mecânicos e lideranças, com foco em conhecimento, organização, experiência e uso de tecnologia. “A gente não procura mais talentos, a gente faz talentos”, ressaltou.

Para o especialista, a mudança de cultura é essencial para avançar na eficiência. Isso inclui sair da zona de conforto, assumir responsabilidade pelos resultados e estruturar programas contínuos de capacitação dentro das empresas.

Ao final, Dalben destacou que ganhos de produtividade e qualidade são consequência direta de uma operação bem executada. “Reduzir custos passa por aumentar a produtividade. E isso começa pelas pessoas”.

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