Centro-Sul pode moer 628 milhões de toneladas em 2026/27
02-03-2026
Recuperação do TCH e clima sustentam segunda maior safra
Por Andréia Vital
Às vésperas do encerramento da safra 2025/26, previsto para o fim de março, a moagem do Centro-Sul deve ficar em 609,5 milhões de toneladas, queda de 1,99% ante 2024/25. Para 2026/27, a projeção aponta recuperação para 628,6 milhões de toneladas, avanço de 3,14%, segundo estimativas apresentadas por Raphael DelloIagono, da Pecege Consultoria e Projetos, durante a Expedição Custos Cana, realizada na quinta-feira (26), em Piracicaba - SP.
“A melhor forma de projetar 2026/27 é caracterizar primeiro a base de 2025/26, entender o que foi relevante e o que pode ou não se repetir no próximo ciclo”, afirmou.
O economista relembrou que o início de 2025/26 foi marcado por pessimismo climático. “Março de 2025 praticamente não teve chuva. Faltou precipitação no último mês da entressafra e isso comprometeu o desenvolvimento vegetativo, afetando a produtividade logo na sequência”, disse. Nos primeiros meses, a quebra acumulada chegou a 12% a 13%. Ao longo do ciclo, porém, houve recuperação gradual, e a perda deve fechar próxima de 4%, com TCH de 74,58 toneladas por hectare, ante 77,78 toneladas na safra anterior.
Para 2026/27, a produtividade projetada é de 76,73 toneladas por hectare, avanço de 2,88%. “Devemos fechar 2025/26 com TCH próximo de 74,5. No início falava-se em quebra muito maior. Para 2026/27, esperamos incremento de quase 2 toneladas por hectare com clima mais favorável e leve rejuvenescimento do canavial”, afirmou.
Mapas de anomalia indicam chuvas dentro ou ligeiramente acima da média em março e redução em abril, dentro do padrão histórico. Imagens de satélite apontam melhora no índice de saúde da vegetação frente ao mesmo período de 2025. “Em 2026 estamos, até o momento, em condições melhores do que no ano passado, o que sustenta a recuperação da produtividade”, disse.
O ganho estimado de 2 a 2,5 toneladas por hectare pode gerar impacto adicional de quase 18 milhões de toneladas de cana em relação a 2025/26. A área colhida deve avançar 0,26%, para 8,193 milhões de hectares, acrescentando cerca de 1,2 milhão de toneladas ao volume final e levando a moagem projetada a 628 milhões de toneladas, patamar que pode representar a segunda maior safra da história da região.
O ATR médio deve subir para 139,25 kg por tonelada, alta de 0,94%, com produção total de 87,535 milhões de toneladas de ATR.
No mix, o açúcar deve recuar para 48,37%, ante 50,59% em 2025/26, enquanto o etanol sobe para 51,63%. A produção de açúcar tende a ficar em 40,34 milhões de toneladas e a de etanol de cana em 26,53 milhões de metros cúbicos, com alta de 8,72%.
No campo macroeconômico, a expectativa é de PIB em alta de 1,7% em 2026, ou 1,8% no recorte da safra. Para DelloIagono, “redução dos juros, inflação controlada e a menor pressão cambial devem sustentar o crescimento e favorecer a demanda do ciclo Otto”.
Apesar do avanço produtivo, os preços devem recuar. O ATR Consecana SP é projetado em R$ 1,0218 por kg, queda de 6,4%. O açúcar VHP pode cair para R$ 84,62 por saca de 50 kg e o cristal para R$ 99,84. “A safra 2026/27 será maior, com melhor diluição de custos fixos, mas em termos de preços tende a ser menor, em movimento de retorno às médias históricas”, afirmou. “O resultado final dependerá do vetor predominante ao longo da safra, receita ou custo”.
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