China restringe exportações de fertilizantes e ureia sobe 35% em 15 dias
20-03-2026
A medida do governo chinês visa garantir a segurança alimentar doméstica e afeta diretamente o agronegócio brasileiro, que importa 85% dos fertilizantes que consome
Por Viviane Taguchi
A China anunciou que vai restringir suas exportações de fertilizantes para garantir a segurança alimentar no país. O anúncio ocorre em meio aos conflitos na região do Oriente Médio e a escalada dos preços do petróleo, que interferiram diretamente nos preços globais de fertilizantes fosfatados, nitrogenados e potássicos. Com a decisão do governo chinês, os preços da ureia dispararam e, no Brasil, acumulam alta de 35% em duas semanas.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) ordenou a suspensão das vendas externas de MAP e DAP (fosfatados) até agosto de 2026 e as novas diretrizes proibiram também a exportação de misturas nitrogenadas e potássicas. No mercado internacional, a escassez de oferta já elevou as cotações da ureia entre US$ 500 a US$ 700 por tonelada.
O cenário é considerado de "risco elevadíssimo" para a safra 2026/27, conforme o Ministério da Agricultura (Mapa) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e é agravado pela instabilidade no Oriente Médio. O conflito envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Hormuz impactaram o fornecimento de gás natural — insumo essencial para a produção de nitrogenados — e comprometeram a logística de um terço do comércio global de ureia e amônia.
Uma das alternativas para os produtores brasileiros, que precisam importar fertilizantes para o planejamento da safra 2026/2027 era substituir as compras de ureia, do Irã, por sulfato de amônio, da China. Com os conflitos e as restrições impostas pelos chineses, o custo do insumo deve subir ainda mais nos próximos meses. Em 2021 e 2022, quando foi deflagrada a guerra na Ucrânia, um grande produtor de fertilizantes, a China também restringiu as suas exportações como medida de proteção. A dependência externa do Brasil para fertilizantes, que gira em torno de 85%, expõe a vulnerabilidade do agro nacional a choques externos.
Fonte: Band

