Ciclo Otto pode superar 62,8 milhões de m³ em 2026
02-03-2026

StoneX projeta alta de 2,1% com etanol mais competitivo

Por Andréia Vital

A demanda por combustíveis do Ciclo Otto deve alcançar novo recorde em 2026 e superar 62,8 milhões de m³, segundo revisão da StoneX. A estimativa aponta crescimento de 2,1% na comparação anual, sustentado por ambiente macroeconômico mais favorável e maior competitividade do etanol frente à gasolina.

Em 2025, as vendas somaram 61,5 milhões de m³, avanço de 3,1%. Dezembro foi o destaque, com volume superior a 6 milhões de m³ em gasolina equivalente, alta de 9,2% ante igual mês de 2024. A gasolina C atingiu 4,63 milhões de m³ no mês, expansão de 12,8% e melhor resultado da série histórica. Segundo a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Isabela Garcia, parte do movimento pode estar associada à antecipação de compras antes do reajuste de R$ 0,10 por litro no ICMS em janeiro de 2026, além de revisões da ANP que elevaram os dados de agosto a outubro.

Para 2026, a gasolina C deve alcançar 47,2 milhões de m³, alta de 1,3%. Já o etanol hidratado pode avançar 4,6%, para 22,2 milhões de m³, elevando sua participação para 24,8% do mercado nacional. Em 2025, o consumo do hidratado foi de 21,2 milhões de m³, queda de 2,3%.

“As primeiras projeções indicam crescimento da renda real e do consumo das famílias acima de 2% ao ano em 2026, superando estimativas anteriores. Esse ambiente tende a sustentar um avanço mais consistente da demanda por combustíveis leves”, afirma Isabela Garcia.

A safra 2026/27 deve apresentar mix mais alcooleiro diante da queda nos preços do açúcar, ampliando a oferta de etanol. “A safra 2026/27 deve apresentar um mix mais alcooleiro diante da forte queda nos preços do açúcar, tornando o etanol mais vantajoso para as usinas na primeira metade do ano e ampliando a oferta do biocombustível”, diz o analista Rafael Borges.

Em São Paulo, a paridade média estimada para 2026 é de 66,3%, ante 67,1% em 2025. No Norte e Nordeste, a entrada do etanol de milho pode elevar as vendas do hidratado em 12,1%, frente a 3,8% no Centro-Sul.

O etanol de milho deve ganhar espaço com 20 potenciais novas unidades previstas, oito delas no Norte e Nordeste. A nova capacidade pode acrescentar cerca de 1,7 milhão de m³ ao Centro-Sul e 1 milhão de m³ ao Norte e Nordeste em 2026/27. Atualmente, o biocombustível responde por cerca de 30% da oferta no Centro-Sul e 35% no Norte e Nordeste na safra 2025/26. Até o fim da década, o número de usinas pode chegar a 79, com capacidade nacional estimada em 26,4 milhões de m³.

“Além de suprir a demanda adicional gerada pelo aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que cria consumo incremental de quase 1,4 milhão de m³ em 2026, o avanço do etanol de milho amplia a competitividade do biocombustível, principalmente na segunda metade do ano”, conclui Borges.