Clima irregular atrasa safrinha e eleva risco produtivo
20-03-2026
Distribuição das chuvas, e não o volume, passa a ser fator crítico
Andréia Vital
As condições climáticas no Brasil seguem marcadas por forte irregularidade regional, com impactos diretos sobre a safra e o calendário agrícola. As informações são do Agro Mensal de março da Consultoria Agro do Itaú BBA, que reúne os fatos recentes do setor e atualiza as perspectivas para as principais commodities agrícolas.
O excesso de chuvas no Centro-Norte contrasta com volumes limitados no Sul, afetando tanto o avanço da colheita quanto o plantio da safrinha. Estados como Mato Grosso, Goiás e Pará registraram acumulados elevados, sustentando o desenvolvimento das lavouras mais tardias, mas dificultando operações no campo e atrasando o calendário agrícola.
Esse atraso amplia o risco produtivo, sobretudo para o milho segunda safra plantado fora da janela ideal. Já no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a irregularidade das chuvas e os volumes abaixo da média resultaram em perdas relevantes na soja, com maior impacto nas regiões Oeste e Sul do estado.
Para os próximos meses, a tendência é de manutenção de chuvas acima da média no Centro-Norte até o fim de março. Em seguida, a previsão indica redução das precipitações em abril e maio no Centro-Sul, período crítico para o desenvolvimento do milho safrinha. O cenário eleva o risco de estresse hídrico e reforça que a distribuição das chuvas será mais determinante do que o volume total acumulado.

