Clima irregular e energia sustentam açúcar e etanol
18-03-2026

Fertilizantes sobem com guerra e elevam custos no agro

O cenário climático irregular no Brasil, combinado à escalada do petróleo e às tensões geopolíticas, tem sustentado os mercados de açúcar, etanol e fertilizantes, segundo o relatório Agro Mensal de março da Consultoria Agro do Itaú BBA.

As chuvas recentes apresentaram forte heterogeneidade regional, com excesso no Centro-Norte e volumes abaixo da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Esse padrão impactou o ritmo da colheita e elevou riscos para o calendário agrícola, sem comprometer, até o momento, a produção nacional.

No Centro-Norte, os altos volumes de precipitação favoreceram lavouras mais tardias, mas dificultaram a colheita da soja e atrasaram o plantio da safrinha, aumentando a exposição ao risco climático. Já no Sul, a irregularidade das chuvas resultou em perdas produtivas mais severas.

As previsões indicam manutenção de chuvas elevadas no Centro-Norte até o fim de março, prolongando desafios operacionais. Para a safrinha, abril e maio serão decisivos, com risco de anomalias negativas de precipitação no Centro-Sul durante o período crítico de desenvolvimento das lavouras.

Apesar disso, não há indicação de evento climático extremo no curto prazo. O principal risco está na distribuição das chuvas ao longo do calendário agrícola, fator determinante para a consolidação das produtividades.

Açúcar reage, mas superávit limita alta

No mercado de açúcar, os preços romperam o piso de 14 cUSD/lb em fevereiro, chegando a 13,7 cUSD/lb, refletindo um balanço global confortável. Em março, houve leve recuperação para 14,4 cUSD/lb, alta de 0,5% no mês.

A reação foi impulsionada principalmente pela alta do petróleo e pela revisão da produção da Índia para 28,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, já considerando maior direcionamento para etanol.

Ainda assim, o mercado segue pressionado pelo superávit global e pelo elevado posicionamento vendido dos fundos, próximo de 250 mil contratos, o que limita movimentos mais consistentes de alta.

Para a safra 2026/27, a expectativa é de moagem entre 620 milhões e 635 milhões de toneladas no Centro-Sul, com recuperação produtiva condicionada ao clima.

Etanol ganha suporte com petróleo e entressafra

O etanol voltou a subir no início de março, com o hidratado em São Paulo negociado a R$ 2,94 por litro, alta de 3,4% frente ao fim de fevereiro.

O movimento reflete a entressafra e a escalada do petróleo, que elevou o prêmio de risco da energia e reforçou a sustentação do biocombustível. A política de preços domésticos também contribui para limitar quedas mais intensas.

Além disso, o cenário internacional tende a influenciar o mix produtivo das usinas, incentivando maior direcionamento da cana-de-açúcar para o etanol no início da safra 2026/27.

Fertilizantes sobem e ampliam volatilidade

O mercado de fertilizantes entrou em nova fase de volatilidade, impulsionado pela guerra no Oriente Médio e pelos impactos na produção e logística de insumos. A ureia subiu 40% em duas semanas, alcançando USD 660 por tonelada CFR no Brasil, refletindo oferta restrita e aumento dos custos de energia e frete.

Os fosfatados também registraram alta, com avanço de 7% para USD 795 por tonelada CFR, pressionados pela elevação dos preços do enxofre e pela incerteza geopolítica. Já o potássio apresenta maior estabilidade relativa, com preços sustentados e menor volatilidade no curto prazo, diante de oferta global mais equilibrada.

O ambiente de custos elevados e incertezas climáticas reforça a necessidade de monitoramento das variáveis de energia e clima, que seguem determinantes para o comportamento das principais commodities do setor.

Fonte: Canaoeste