Com EcoInvest, Itaú BBA financia conversão de pasto pela Adecoagro
12-01-2026

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Empréstimo de R$ 100 milhões foi a primeira operação feita dentro do programa Caminho Verde Brasil, do governo federal

Por Camila Souza Ramos — São Paulo

O programa Caminho Verde Brasil, de financiamento para recuperação de áreas degradadas, realizou sua primeira operação. Em dezembro, o Itaú BBA liberou R$ 100 milhões para a Adecoagro investir na conversão de pastos para canaviais em Mato Grosso do Sul. A operação usou recursos captados no segundo leilão da linha EcoInvest, do Tesouro Nacional.

O recurso financiará a implantação de canaviais em 4 mil hectares sobre pastos degradados, que abastecerão a usina da empresa em Ivinhema (MS). O financiamento terá dois anos de carência e prazo de sete anos — acertado para combinar com o tempo de crescimento de variedades de cana de 1,5 ano, mais cinco safras de corte.

O custo financeiro da operação da Adecoagro não foi divulgado. Segundo Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, a operação foi indexada ao dólar, atrelada aos títulos de dívida americanos — os notes com vencimento em dez anos estão em 4,175%.

“Algo que nos ajudou [a sermos o primeiro a liberar os recursos do EcoInvest] foi a densidade de conhecimento técnico para operações com alto nível de compliance socioambiental de recuperação de áreas degradadas que desenvolvemos ao longo do Programa Reverte” — Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA

O programa, que entrará no sexto ano de operação, já financia conversão de pastos degradados para grãos com apoio da Syngenta e da The Nature Conservancy (TNC).

O que permitiu o baixo custo na operação com a Adecoagro em relação às taxas livres foi o nível de alavancagem que o Itaú BBA e outros bancos obtiveram no segundo leilão do EcoInvest, voltado para financiar o programa Caminho Verde Brasil. O banco comprometeu-se com uma alavancagem de 1,987, o que significa que, para cada R$ 1 captado junto ao Tesouro, irá desembolsar mais R$ 0,987 para financiar as operações.

A primeira transação teve um pequeno atraso em relação às expectativas iniciais, mas Fernandes diz que toda a primeira tranche de recursos acertados pelo banco junto ao Tesouro, de R$ 487,5 milhões, já está comprometida com operações pactuadas e enquadradas tecnicamente. A expectativa é liberar esses recursos, que devem apoiar a recuperação de mais de 20 mil hectares, até o fim do trimestre.

O segundo leilão do EcoInvest, realizado em agosto, resultou em demanda de R$ 17,3 bilhões do Tesouro para viabilizar financiamentos de R$ 31,4 bilhões. O valor do Tesouro será repassado aos bancos em três tranches — a primeira de 25% do total, a segunda de 50%, e a terceira, de 25%.

Em 2025, o Tesouro transferiu aos bancos R$ 1,5 bilhão, dentre um valor empenhado de R$ 8,8 bilhões. A diferença deve ser executada neste ano, e se somará ao montante orçado para 2026.

Segundo Mario Almeida, membro do Comitê Executivo do EcoInvest, a reserva orçamentária já garante a execução da primeira tranche para os bancos e quase toda a segunda.

A demanda dos produtores tem sido mais elevada do que as operações pactuadas, mas muitas são barradas na verificação das regras socioambientais. Segundo Fernandes, há operações que não avançam por dificuldades técnicas dos produtores para implementar o projeto ou porque o cliente não está disposto a ficar 10 anos sem desmatar nada na propriedade, como exige o programa. Outra dificuldade em certas regiões, diz, é a exigência de uma cota mínima de trabalhadoras mulheres.

Para Almeida, dadas as dificuldades operacionais, “faz sentido” que os recursos cheguem primeiro aos maiores produtores. “Mas acho que também chegará aos pequenos e médios”, afirma. Fernandes diz que as operações do banco não deverão ficar abaixo dos R$ 20 milhões.

A expectativa inicial era de que o grosso das operações fosse para projetos de plantio de grãos. Mas, segundo o executivo do Itaú BBA, há uma “variedade de cultivares e biomas relevante”. “A representatividade de cana e laranja tende a ser um pouco maior do que expectativa na época do leilão”, diz.

Outra surpresa, afirma, tem sido com a Caatinga. Os bancos temiam não conseguir alcançar a regra de direcionar 10% dos recursos ao bioma, mas o Itaú BBA está superando essa cota mínima.

Fonte: Globo Rural