Comércio Brasil-EUA acumula queda de 16,7% nas exportações
14-05-2026

Retração nas vendas e compras amplia déficit bilateral em 2026

Andréia Vital

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, com retração tanto nas exportações brasileiras quanto nas importações de produtos americanos. Dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham Brasil, mostram que as exportações do Brasil para os EUA somaram US$ 10,9 bilhões entre janeiro e abril, queda de 16,7% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa o menor valor exportado ao mercado americano desde 2023.

No acumulado do primeiro quadrimestre, os Estados Unidos responderam por 9,4% de todas as exportações brasileiras. Apesar da relevância do parceiro comercial, o desempenho ficou entre os mais fracos entre os principais destinos das vendas externas do País. Enquanto as exportações brasileiras totais avançaram 9,2% no período, os embarques para os EUA seguiram em trajetória negativa.

As importações brasileiras de produtos americanos também recuaram em 2026. As compras provenientes dos Estados Unidos caíram 13% no acumulado do ano até abril e registraram retração de 18,1% apenas no quarto mês do ano. Segundo o levantamento, a redução foi influenciada principalmente pela queda nas aquisições de motores e máquinas, aeronaves e partes, além de óleos combustíveis.

Em abril, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 3,1 bilhões, com recuo de 11,5% frente ao mesmo mês de 2025. Foi o nono mês consecutivo de queda nas vendas externas brasileiras ao mercado americano. Entre os produtos que mais pressionaram o resultado estão petróleo bruto, com retração de 45,6%, e café não torrado, cuja queda alcançou 46,1% no período.

Segundo Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a contração simultânea das exportações e importações reforça a necessidade de avanço nas negociações comerciais entre os dois países. O executivo afirmou que o cenário amplia a importância do diálogo estabelecido recentemente entre os presidentes de Brasil e Estados Unidos para evitar novas tarifas e estimular a retomada do fluxo comercial bilateral.

O monitor aponta ainda que os bens sem sobretaxas lideraram as perdas em abril, com queda de 25,2%. Já os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% recuaram 7,6% no mês. Em contrapartida, os itens impactados pela Seção 232 apresentaram crescimento de 22,5%, impulsionados principalmente pelos embarques de aço e alumínio, que avançaram 44,3% no período.

No acumulado de janeiro a abril, os produtos submetidos à sobretaxa de 10% registraram a maior retração entre os grupos analisados, com queda de 23,7%. Como as exportações brasileiras caíram em ritmo mais intenso do que as importações, o déficit do Brasil na balança comercial com os Estados Unidos aumentou 35% no quadrimestre, atingindo US$ 1,3 bilhão.