Comunicação busca métricas de impacto no setor bioenergético
30-03-2026
Gestora da Jalles defende valor além de indicadores financeiros
Andréia Vital
A mensuração de resultados segue como um dos principais desafios da comunicação no setor bioenergético. A avaliação é de Daniela Rodrigues, gestora de Comunicação Corporativa da Jalles, que destacou a dificuldade de traduzir o impacto da área em indicadores comparáveis aos financeiros durante participação no painel “O Poder da Comunicação”, no 14º Cana Substantivo Feminino, realizado nesta quinta-feira (26), em Ribeirão Preto - SP.
Segundo ela, enquanto outras áreas apresentam ganhos diretos em economia e retorno, a comunicação precisa demonstrar valor por meio de critérios próprios. “A gente tem que mostrar como a comunicação vale o seu dinheiro. Não é com números frios”, afirmou. Para Daniela, a análise passa pela força da marca e pela percepção construída junto aos públicos.
Daniela ressaltou que a área atua na valorização do trabalho interno e no fortalecimento da reputação institucional, ainda que os efeitos não sejam imediatos ou facilmente mensuráveis. “Qual o prejuízo para a sua imagem se você não se comunicar?”, questionou.
A construção contínua de relacionamento com os públicos, segundo ela, é determinante para a gestão de crises. Empresas que não mantêm diálogo consistente tendem a enfrentar maior dificuldade para se posicionar em momentos críticos. “Se você nunca se comunicou e precisa falar pela primeira vez em uma crise, ninguém vai te ouvir”, disse.
Outro ponto abordado foi a importância do conhecimento técnico na elaboração das estratégias. Daniela criticou campanhas distantes da realidade do campo, desenvolvidas sem domínio do setor de cana-de-açúcar, o que compromete a efetividade das ações.
Ela também destacou a valorização da autenticidade diante da saturação de conteúdos genéricos e do uso crescente de inteligência artificial. Segundo a representante da Jalles, o público identifica com facilidade materiais pouco aderentes à realidade, o que reduz a conexão com a marca.
Nesse cenário, o protagonismo das lideranças ganha relevância. A participação ativa de CEOs e dirigentes, segundo ela, contribui para ampliar a transparência e fortalecer a relação com os públicos.
Por fim, Daniela reforçou que a comunicação deve ser tratada como uma área prestadora de serviço dentro das empresas, com autonomia e foco em impacto. Indicadores de engajamento, reputação e posicionamento são, segundo ela, caminhos para demonstrar os resultados da área.
Confira:

