Conexão Agro do BB reúne cenário global e tendências das commodities
20-04-2026
Relatório aponta volatilidade externa, pressão de custos e ajustes no Brasil
Andréia Vital
O Banco do Brasil divulgou na sexta-feira (17) nova edição do relatório Conexão Mercado Agro, que consolida análises sobre o cenário macroeconômico e o desempenho das principais commodities agrícolas, com foco em tendências no Brasil e no exterior.
No ambiente internacional, o documento destaca a volatilidade provocada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com impacto direto sobre energia, inflação e preços de commodities. A reabertura do Estreito de Ormuz e avanços nas negociações entre EUA e Irã contribuíram para um alívio momentâneo nos mercados, embora o ambiente ainda seja considerado incerto.
No Brasil, o relatório aponta sinais de aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 0,6% no IBC-Br em fevereiro e revisão positiva para janeiro. Ainda assim, pressões inflacionárias seguem no radar, impulsionadas principalmente pelo aumento dos custos de energia, refletidos em indicadores como o IGP-10, que avançou 2,94% em abril.
As projeções do banco indicam PIB de 2,0% em 2026, taxa Selic em 12,50% e câmbio ao redor de R$ 5,20 por dólar no fim do período.
No recorte das commodities, o estudo mostra que a soja registrou semana de volatilidade em Chicago, com recuo de 0,74% no contrato de maio de 2026, enquanto no mercado interno brasileiro os preços caíram em média 0,7%, com comercialização ainda lenta e cerca de 25% da safra negociada.
Para o milho, o cenário foi misto, com alta de 1,64% no mercado externo, influenciada por condições climáticas nos Estados Unidos, e pressão negativa no Brasil, onde os preços recuaram diante do avanço da colheita e da expectativa de maior oferta.
No café, o relatório aponta cautela global, com queda de 3,99% no arábica e alta de 2,26% no robusta na semana. No Brasil, a expectativa de safra elevada para 2026/27, superior a 75 milhões de sacas, pressiona os preços ao produtor, com o arábica negociado próximo de R$ 1.866 por saca em Minas Gerais.
Já no mercado pecuário, o boi gordo segue em alta, impulsionado pelas exportações. O volume embarcado alcançou 97,2 mil toneladas nos primeiros dias úteis de abril, com preço médio de US$ 6.078 por tonelada. No mercado interno, a arroba superou R$ 367 no indicador Cepea, com negócios em São Paulo chegando a R$ 375.
O relatório também destaca que o uso de instrumentos de hedge, como opções de venda, ganha relevância em um cenário de volatilidade e incertezas, como forma de proteção de margens pelos produtores.

