Crédito rural perde tração e desembolsos caem quase 19% na safra 2025/26
06-01-2026
Alta dos juros, avanço da inadimplência e retração dos investimentos reduzem volume contratado no país e em São Paulo
O crédito rural iniciou a safra 2025 26 em trajetória de desaceleração. Nos cinco primeiros meses do ciclo, entre julho e novembro, os desembolsos no Brasil somaram R$ 155,0 bilhões, o equivalente a 38,2 por cento dos R$ 405,9 bilhões programados no Plano Safra. O volume representa retração de 18,6 por cento em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram contratados R$ 190,3 bilhões, segundo levantamento da FAESP Senar SP com base em dados do Banco Central.
A perda de fôlego também aparece no número de operações. Foram firmados 1.012.709 contratos no acumulado da safra atual, queda de 5,6 por cento frente às 1.072.751 operações registradas em 2024 25. O ticket médio recuou de R$ 177,4 mil para R$ 153,0 mil, redução de 13,7 por cento, refletindo maior seletividade das instituições financeiras.
Todos os perfis de produtores registraram retração em valor. As operações do Pronaf somaram R$ 32,1 bilhões, queda de 6,5 por cento. No Pronamp, os desembolsos atingiram R$ 35,4 bilhões, retração de 8,3 por cento. Entre os demais produtores, a redução foi mais intensa, com recuo de 25,5 por cento e volume contratado de R$ 87,6 bilhões.
A análise por finalidade mostra que os recursos destinados a investimento foram os mais afetados. O volume contratado nessa modalidade caiu 33,0 por cento, de R$ 49,4 bilhões para R$ 33,0 bilhões. Programas voltados à modernização do parque de máquinas apresentaram quedas expressivas. O Moderfrota recuou 59,1 por cento, passando de R$ 4,86 bilhões para R$ 1,99 bilhão. O Inovagro e o Moderagro tiveram retração de 46,6 por cento, enquanto o Renovagro caiu 40,9 por cento.
Em sentido oposto, a industrialização cresceu 33,5 por cento, alcançando R$ 14,9 bilhões, movimento pontual que não compensou o recuo das demais finalidades. O custeio, principal linha do crédito rural, somou R$ 92,6 bilhões, queda de 17,8 por cento, enquanto a comercialização recuou 16,0 por cento, totalizando R$ 14,4 bilhões.
O ambiente financeiro mais restritivo tem sido agravado pelo avanço da inadimplência. Nas operações de pessoas físicas contratadas a taxas de mercado, o percentual de contratos com atraso superior a 90 dias atingiu 11,4 por cento em outubro. No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência permaneceu abaixo de 1,0 por cento, mas também apresentou tendência de alta ao longo de 2025.
No Estado de São Paulo, os desembolsos somaram R$ 14,3 bilhões entre julho e novembro da safra 2025 26, retração de 13,9 por cento frente aos R$ 16,6 bilhões registrados no mesmo período do ciclo anterior. O número de contratos caiu 23,0 por cento, de 28.519 para 21.961 operações. Com isso, o ticket médio avançou 11,8 por cento, atingindo R$ 651,4 mil.
Entre os programas, apenas o Pronamp apresentou leve crescimento no Estado, com alta de 0,4 por cento e volume contratado de R$ 3,42 bilhões. O Pronaf recuou 3,6 por cento, enquanto os demais produtores registraram queda de 18,3 por cento. Assim como no cenário nacional, os recursos destinados a investimento foram os mais afetados, com retração de 40,5 por cento.
O desempenho do crédito rural em São Paulo manteve participação de 9,2 por cento no total desembolsado no país, posicionando o Estado na quinta colocação no ranking nacional. O resultado reforça a avaliação de que o crédito segue disponível, mas em ritmo inferior ao necessário para sustentar investimentos e renovação tecnológica no campo.
Diante desse cenário, o comportamento do crédito rural evidencia os efeitos combinados de juros elevados, maior percepção de risco e restrições adicionais de garantias, fatores que pressionam principalmente pequenos e médios produtores e impõem desafios à sustentação da produção agropecuária ao longo da safra.

