Crise de produtores de cana e criadores afeta estado, da Zona da Mata ao Sertão
06-02-2026
A crise do setor sucroalcooleiro atinge 50 municípios da Zona da Mata, em virtude de fatores climáticos e econômicos. No Sertão e no Agreste, seca resulta em falta de comida para caprinos e bovinos
Representantes dos produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata de Pernambuco e dos criadores do Sertão e do Agreste se reuniram, em caráter emergencial, com o governo do estado para alertar sobre a crise que os setores vêm enfrentando e para buscar ações que reduzam as consequências econômicas e sociais do cenário.
Segundo o consultor da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Gregório Maranhão, a crise do setor sucroalcooleiro atinge 50 municípios da Zona da Mata, em virtude de fatores climáticos e econômicos. No Sertão e no Agreste, a seca atinge os criadores de caprinos e bovinos, resultando em falta de comida para os animais.
“Nós temos um forte comprometimento pluviométrico na Zona da Mata que está afetando a atividade canavieira e também uma série de problemas de natureza econômica, como as dificuldades de acesso ao crédito agrícola, e a tarifa americana que comprometeu a nossa cota preferencial de exportação de açúcar para o mercado norte-americano. Só no ambiente dos fornecedores de cana, o prejuízo já ultrapassa R$ 500 milhões”, explicou.
Neste contexto, o setor não tem condições de comprar fertilizantes para as plantações e os produtores pedem que o governo subsidie os insumos. Para os animais, o pleito é que o estado compre alimentos como bagaço de cana, minimizando os efeitos da seca.
Reuniões
Há quinze dias, os produtores de cana foram recebidos, pela primeira vez, pelo secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, no Palácio do Campo das Princesas. Uma nova reunião com o secretário foi realizada, nesta quinta-feira (5), com a participação da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP); do Sindicato dos Cultivadores de Cana, acompanhados da representação dos trabalhadores canavieiros; e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE).
Os produtores estavam acompanhados dos deputados estaduais France Hacker, Jarbas Vasconcelos Filho, Antônio Moraes, Henrique Queiroz Filho e Socorro Pimentel.
Após o encontro, no período da tarde, os produtores se reuniram com a equipe do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). É por meio do programa Terra Plantar, do IPA, que o governo do estado pretende fazer a aquisição dos insumos. A expectativa é de que na próxima segunda-feira (9), os fornecedores e representantes da Assembleia Legislativa de Pernambuco se reúnam para discutir o assunto. Também haverá outros encontros com o governo estadual.
“Essa última reunião, na minha opinião, foi bem proveitosa. A gente sabe que vai ter que pedir um apoio à Assembleia Legislativa, estamos agendando com os deputados para ter uma agenda com o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto e com o presidente da Comissão de Finanças, deputado Antônio Coelho. A gente vai lá pedir apoio a eles dentro da Assembleia Legislativa para agilizar esse projeto, que não é só o nosso da cana, tem também um socorro para os pecuaristas do Agreste e do Sertão”, destacou o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima.
Importância
De acordo com o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, na agricultura sempre há um tempo certo para cada processo.
“É importante que essas medidas emergenciais ocorram exatamente no período em que inicia-se os investimentos na adubação para se manter safras e continuar a jornada, principalmente protegendo o resto da safra atual 2025/2026, que já está quase na entressafra, mas protegendo a safra 2026/2027, tentando salvar de forma emergencial esse potencial agrícola”, ressaltou.
O secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, reiterou que ainda existe um problema operacional para a entrega dos insumos, devido à não aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Segundo o gestor estadual, o fato impede que o governo estadual faça remanejamento de orçamento.
“Essa é uma demanda emergencial e quando acontecem demandas emergenciais, é preciso remanejar o orçamento. Com a não aprovação da LOA, a gente não consegue remanejar o orçamento. Superando isso, e eu acredito na sensibilidade da Assembleia, conseguimos fazer com que esse programa (Terra Plantar) seja implementado. A nossa ideia é formatar um programa que possa socorrê-los emergencialmente durante um período de 90 dias”, disse.
Fonte: Folha de Pernambuco

