CTC amplia lucro em 23,2% e avança no mercado de plantio
29-05-2026

Receita cresce 11,3% e participação no plantio chega a 32%

Andréia Vital

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) encerrou a safra 2025/26 com crescimento dos principais indicadores financeiros e avanço da participação no mercado de variedades para plantio. A companhia registrou receita líquida de R$ 470,6 milhões, alta de 11,3% em relação à safra anterior, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 216,5 milhões, crescimento de 23,2% sobre 2024/25.

O EBITDA somou R$ 218,7 milhões no período, avanço de 10,4%, com margem de 46,5%, mantendo o mesmo patamar da safra anterior. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela ampliação da presença comercial e pela maior adoção de tecnologias lançadas nos últimos anos.

A participação do CTC no mercado de plantio atingiu 32% na safra 2025/26, aumento de seis pontos percentuais na comparação com o ciclo anterior. O resultado foi sustentado pela expansão das variedades mais recentes e pelo fortalecimento do portfólio tecnológico voltado à produção de cana-de-açúcar.

De acordo com o CEO do CTC, César Barros, os números refletem a capacidade da empresa de converter investimentos em inovação em crescimento rentável. O executivo destacou a evolução da base de clientes e a maior presença das novas tecnologias nos canaviais.

No quarto trimestre da safra, entretanto, os indicadores apresentaram retração. O lucro líquido foi de R$ 39,9 milhões, queda de 5,1% frente ao mesmo período do ciclo anterior. O EBITDA somou R$ 40,6 milhões, recuo de 15,6%. Segundo a companhia, o resultado foi impactado pelo reforço das iniciativas comerciais ligadas à principal janela de plantio e pela ampliação das atividades de validação e desenvolvimento de novos produtos.

O avanço das variedades lançadas recentemente também ficou evidente nos dados de adoção. Entre os plantios realizados com materiais protegidos, 81% utilizaram variedades lançadas a partir de 2020. A CTCAdvana1 alcançou 268 usuários na safra, enquanto a CTCAdvana2 chegou ao mercado com potencial de produtividade estimado em 10% acima dos padrões atuais. Já a CTC9006 liderou a intenção de plantio entre os produtores.

Além dos resultados comerciais, a companhia registrou avanços em biotecnologia. Durante a safra, obteve junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a aprovação da primeira variedade da plataforma VerdPRO2, que reúne resistência à broca da cana e tolerância a herbicidas. O CTC também avançou na transformação genética de novas variedades dentro da mesma plataforma.

Outro marco foi a inauguração da Unidade de Produção de Sementes Sintéticas (UPS), em Piracicaba – SP. O projeto recebeu investimento de R$ 100 milhões e marca o início da produção em escala da tecnologia desenvolvida para reduzir a necessidade de mudas convencionais e ampliar a eficiência do plantio.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento atingiram R$ 79,6 milhões no quarto trimestre, crescimento de 22% na comparação anual. No acumulado da safra, os aportes chegaram a R$ 268 milhões, alta de 14,6%, direcionados às áreas de melhoramento genético, biotecnologia e sementes sintéticas.

Os investimentos totais da companhia também avançaram. O Capex do quarto trimestre foi de R$ 56,8 milhões, praticamente o dobro do registrado no mesmo período da safra anterior. No acumulado de 2025/26, os investimentos somaram R$ 139 milhões, crescimento de 142,4%, destinados principalmente à UPS, à ampliação de laboratórios e à infraestrutura de pesquisa.

Ao final da safra, o CTC registrou posição de caixa líquido de R$ 501,7 milhões. Segundo a companhia, a estrutura financeira oferece suporte para a continuidade dos investimentos em inovação e expansão tecnológica nos próximos ciclos.

A safra 2025/26 também foi marcada pelo reconhecimento da empresa no ranking GPTW Agro 2025/26, no qual o CTC foi apontado como a melhor empresa para trabalhar no agronegócio brasileiro.