Custo da cana atinge R$ 175 por tonelada na safra 2025/26
02-03-2026
Para a temporada 2026/27, Pecege projeta R$ 166,4 por tonelada e ATR a R$ 1,0218
Por Andréia Vital
O custo operacional médio da cana-de-açúcar no Centro-Sul ficou em R$ 175,5 por tonelada na safra 2025/26, equivalente a R$ 1,2933 por quilo de ATR, segundo levantamento apresentado na quinta-feira (26), em Piracicaba – SP, durante a Expedição Custos Cana, organizada pelo Pecege Consultoria e Projetos.
Os números foram detalhados pelo consultor João Rosa Botão na palestra “Custos de produção da cana-de-açúcar, açúcar e etanol na safra 2025/26”. O estudo reúne dados periódicos de usinas brasileiras e consolida indicadores agrícolas e industriais do setor sucroenergético.
De acordo com o material apresentado, operações respondem por 52% do custo total, insumos por 25%, arrendamento por 17% e outros custos por 6%. Dentro de insumos, fertilizantes representam 10,5%, defensivos 6,7%, mudas 4,1% e corretivos 2,7%.
A produtividade média considerada na safra 2025/26 foi de 75,5 toneladas por hectare, com ATR médio de 135,68 quilos por tonelada e idade média do canavial de 3,5 anos. Esse desempenho agrícola ajuda a explicar o custo unitário, uma vez que menor produção reduz a capacidade de diluição das despesas fixas.
Botão destacou que o custo deve ser analisado sob a ótica do quilo de ATR. “O setor pensa muito em reais por hectare, mas o que define competitividade é o custo por quilo de ATR”, afirmou.
O que fazem as operações mais eficientes
No grupo mais eficiente da amostra, a produtividade média alcança 85 toneladas por hectare, com ATR de 137 quilos por tonelada, longevidade de 6,2 cortes e TAH de 11,5 toneladas de ATR por hectare. Nesse perfil, o custo de formação do canavial, excluindo muda, fica em R$ 13.422 por hectare, equivalente a cerca de R$ 0,19 por quilo de ATR.
Os tratos culturais de soca giram em torno de R$ 3.519 por hectare, com impacto de R$ 0,30 por quilo de ATR. Já o custo de corte, transbordo e apoio soma aproximadamente R$ 32 por tonelada, equivalente a R$ 0,23 por quilo de ATR.
O conceito apresentado pelo consultor, resumido na lógica 20 30 25, indica que operações competitivas tendem a formar o canavial na casa de R$ 0,20 por quilo, conduzir soca em torno de R$ 0,30 e manter colheita e apoio próximos de R$ 0,25 por quilo de ATR. O objetivo final, segundo ele, é manter o custo total abaixo de R$ 1 por quilo de ATR.
No sistema de colheita, o CTTA total ficou em R$ 48,2 por tonelada na safra 2025/26, composto por R$ 24,9 de corte e transbordo, R$ 15,1 de transporte e R$ 8,2 de apoio e administração. O consumo médio de diesel foi estimado em 0,91 litro por tonelada, com rendimento operacional de 504,5 toneladas por máquina por dia.
O arrendamento apresentou forte variação regional, entre médias de 9,8 toneladas de cana por hectare ao ano em algumas regiões e 21,6 toneladas em áreas paulistas como Ribeirão Preto e Araraquara, com máximos de até 25 toneladas por hectare ao ano.
A amplitude entre empresas também é significativa. Em consulta com 57 unidades para composição de orçamento, os tratos culturais de soca apresentaram média de R$ 4.064 por hectare, com mínimo de R$ 2.300 e máximo de R$ 4.900. Para corte, transbordo e apoio, os valores variaram entre R$ 32 e R$ 59 por tonelada. No consolidado, o custo operacional na amostra variou entre R$ 116 e R$ 195 por tonelada.
Projeções para 2026/27
Para a safra 2026/27, a projeção do Pecege indica custo operacional de R$ 166,4 por tonelada. A formação do canavial deve passar de R$ 19.293 para R$ 19.438 por hectare, sendo R$ 5.635 para preparo, R$ 10.198 para plantio e R$ 3.605 para tratos de cana planta. Os tratos de soca tendem a cair de R$ 3.801 para R$ 3.688 por hectare.
O CTTA projetado fica em R$ 47,5 por tonelada, composto por R$ 24,1 de corte e transbordo, R$ 14,4 de transporte e R$ 9,0 de apoio. O arrendamento médio projetado recua de R$ 2.217 para R$ 2.075 por hectare.
A produtividade média estimada para 2026/27 é de 76,73 toneladas por hectare, acima das 75,5 toneladas por hectare da safra 2025/26, o que contribui para diluição de custos.
No cenário macro considerado, o diesel deve permanecer próximo de R$ 6 por litro, o índice de fertilizantes apresenta queda anual superior a 6% e o de defensivos recua mais de 5%, contribuindo para aliviar o custo por hectare.
Ao mesmo tempo, o preço de referência do ATR pelo Consecana em São Paulo é projetado em R$ 1,0218 por quilo em 2026/27, queda de 6,4% ante 2025/26. “Por hectare tende a ficar mais barato e, se eu produzo mais, diluo custo”, afirmou Botão. “Mas, com ATR mais baixo, eficiência passa a ser ainda mais determinante”.
“O setor pensa muito em reais por hectare, mas o que define competitividade é o custo por quilo de ATR. Se o custo total ficar abaixo de um real por quilo de ATR, você está no grupo mais eficiente”, concluiu o consultor.
Confira:

