Deputado é preso por lavagem com postos de combustíveis
06-05-2026

Investigação aponta desvio de recursos públicos no Rio de Janeiro

Andréia Vital

A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) na terça-feira (5), no Rio de Janeiro, sob suspeita de envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, o parlamentar teria liderado uma organização criminosa voltada à manipulação de contratos e aquisições públicas, com atuação em Campos dos Goytacazes. Os recursos desviados eram ocultados por meio de uma rede de postos, com uso de terceiros para dissimular a origem do dinheiro.

As apurações indicam que o esquema operou entre 2021 e 2022 e envolveu verbas da Empresa Pública de Habitação do município. Também há indícios de intimidação a adversários políticos, com base em mensagens analisadas pela PF.  A Justiça determinou a prisão preventiva de sete investigados, além de mandados de busca e apreensão e o afastamento do deputado do cargo.

Patrimônio e histórico

Declarações à Justiça Eleitoral mostram que Rangel informou crescimento patrimonial de cerca de 700% em dois anos, passando de R$ 224 mil, em 2020, para R$ 1,9 milhão em 2022, incluindo participação em 18 postos de combustíveis.  O deputado já havia sido alvo de investigação da PF em 2024 por suspeitas semelhantes envolvendo contratos públicos.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro afirmou que colabora com as autoridades. Já a Secretaria Estadual de Educação informou que revisa contratos e estabeleceu limite de R$ 130 mil para obras de menor porte, conforme a legislação.

A defesa declarou que tomou conhecimento da operação nesta terça-feira (5), negou irregularidades e afirmou que prestará esclarecimentos no curso do processo. Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.