Detentores de CRA da Raízen decidirão sobre negociação com empresa na próxima semana
07-05-2026

Tanque de etanol da Raízen — Foto: Divulgação/Raízen
Tanque de etanol da Raízen — Foto: Divulgação/Raízen

Assembleias de investidores marcadas para esta quarta-feira não atingiram quórum mínimo

Por Camila Souza Ramos — São Paulo

Os detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Raízen só devem votar algum posicionamento para levar para as negociações de repactuação da dívida da companhia na próxima semana. A empresa está em recuperação extrajudicial, com uma dívida total com credores externos de R$ 65 bilhões.

A Raízen - uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país e maior produtora de açúcar e etanol de cana-de-açúcar do Brasil - tem R$ 7,3 bilhões em dívidas com CRAs, que tiveram seu vencimento declarado antecipadamente por causa do pedido de recuperação extrajudicial da companhia. Há mais de 80 mil investidores apenas na pessoa física com CRAs da Raízen.

Nesta quarta-feira (6/5) começou a primeira leva de assembleias de detentores de CRA da Raízen, mas nenhuma teve quórum, conforme apurou a reportagem. Foram convocadas para esta quarta-feira as assembleias dos detentores de CRAs das 6ª, 10ª e 73º emissões. Os detentores destes títulos têm em mãos R$ 4 bilhões a receber da Raízen.

Sem o quórum alcançado, haverá uma segunda convocação das assembleias desses CRAs para daqui oito dias, em 14 de maio.

Para quinta-feira (7/5), estão marcadas duas assembleias com os detentores dos CRAs de 38ª e 2ª emissões, que detêm conjuntamente R$ 3,3 bilhões em créditos da Raízen. A perspectiva, segundo uma fonte que acompanha o processo, é que os encontros também não tenham quórum, postergando uma decisão para a semana que vem.

As assembleias são organizadas pela Opea, securitizadora que ficou responsável pelos CRAs da Raízen após ter comprado a True Securitizadora. A Opea contratou o escritório Felsberg Advogados como assessor legal e o Journey Capital como assessor financeiro dos detentores de CRA.

A postergação das assembleias dos detentores de CRA reduz o tempo disponível para o avanço das negociações entre os credores e a Raízen. A companhia tem até 9 de junho para apresentar um plano de recuperação atualizado com os detalhes da reestruturação de sua dívida e com adesão de mais de 50% dos créditos sujeitos. Até o momento, os credores que avançaram mais em propostas foram os bancos e os detentores de bonds.

Em sua última proposta aos credores, a Raízen defendeu que 45% da dívida seja convertida em ações e indicou que pode levantar até R$ 5 bilhões em capital novo para injetar na companhia, além do aporte prometido pelos acionistas, de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto.

A Cosan — cujo maior acionista hoje é o BTG — não se comprometeu com nenhum aporte na Raízen até o momento.

Fonte :Globo Rural