DO CAMPO À TECNOLOGIA, A APTA REGIONAL APRESENTA AOS JOVENS O AGRO QUE JÁ ESTÁ CONSTRUINDO O FUTURO
01-09-2026

APTA Portas Abertas aproxima estudantes da pesquisa científica e revela, entre sensores, drones, GPS e agricultura regenerativa, um campo cada vez mais tecnológico, sustentável e cheio de oportunidades

O futuro do agro não está apenas nas grandes máquinas ou nas lavouras cada vez mais produtivas. Ele também está nos sensores que transformam plantas e grãos em dados, nos GPS que dão coordenadas ao campo, nos drones que sobrevoam as culturas e nas práticas que buscam recuperar e preservar o solo. Foi esse novo universo que jovens de Itapetininga puderam descobrir de perto durante o APTA Portas Abertas, realizado pela APTA REGIONAL, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Mais do que uma visita, a experiência colocou os jovens em contato direto com uma agricultura que combina conhecimento científico, tecnologia e sustentabilidade. Entre equipamentos, demonstrações e conversas com profissionais, eles puderam perceber que o campo também é espaço de inovação e que por trás das tecnologias existem novas profissões, oportunidades e caminhos para quem deseja construir seu futuro no agro.

Para o diretor técnico da APTA REGIONAL de Itapetininga, pesquisador Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues, aproximar esse universo dos jovens é justamente um dos principais objetivos da iniciativa. O APTA Portas Abertas, que já se tornou uma tradição, “busca estreitar a relação da instituição com a comunidade e, especialmente, com o público infanto-juvenil”.

“A juventude hoje tem uma excelente oportunidade no mercado de trabalho, aliando tecnologia com informações do campo”, destaca o pesquisador. Segundo ele, a expectativa é que o contato com a pesquisa desperte nos estudantes o interesse pelo setor e mostre possibilidades de formação e atuação profissional.

Nesta edição, a unidade recebeu jovens ligados ao Casa de Apoio à Assistência Social ao Adolescente (CASA) e ao Projeto Jovem Empreendedor do Agro, do Parque Cidadão da Chapadinha, além de estudantes de escolas do município.

Para alguns, era o primeiro contato com equipamentos e conceitos que fazem parte da agricultura moderna. Para Ana Vitória, de 13 anos, a experiência foi uma oportunidade de “aprender mais sobre as tecnologias, ver um pouco do agro e as máquinas”.

Já Karolina Souza, estudante da Escola Modesto Avalone de Lima, que participou pela segunda vez, destacou a possibilidade de conhecer o espaço de uma maneira diferente. “Hoje fomos mais ao ar livre, achei mais interessante, é diferente da sala de aula”, contou.

Quando a tecnologia encontra o campo

A aproximação com o agro do futuro foi conduzida pelo engenheiro agrônomo João Francisco Gonçalves de Carvalho, bolsista da APTA REGIONAL, que apresentou aos estudantes diferentes ferramentas utilizadas na pesquisa e no manejo agrícola.

A demonstração começou com um medidor de umidade de grãos, capaz de indicar se o produto colhido apresenta condições adequadas ou se necessita de secagem. Depois, vieram os sensores de temperatura e a câmera térmica, capazes de revelar diferenças que não são perceptíveis apenas pela observação.

João mostrou o clorofilômetro e explicou como uma característica da planta pode se transformar em informação para apoiar decisões de manejo. Com o GPS, apresentou aos jovens uma nova maneira de “marcar” o campo ao registrar exatamente o ponto onde uma análise foi feita para que o pesquisador possa retornar ao mesmo local e acompanhar sua evolução.

Na sequência, o aparelho penetrômetro levou a turma para debaixo da superfície. O equipamento mede a resistência do solo e ajuda a identificar possíveis problemas de compactação que podem dificultar o crescimento das raízes.

“São tecnologias diferentes, mas conectadas por uma mesma lógica. Conhecer melhor para decidir melhor”, completa João.

Um campo que também precisa ser cuidado

A apresentação aproximou os estudantes de um conceito que ganha espaço na agricultura, como a integração entre agricultura de precisão e agricultura regenerativa.

Enquanto sensores, GPS e equipamentos de medição permitem conhecer com maior precisão o que acontece na lavoura, práticas regenerativas buscam melhorar as condições do solo e utilizar os recursos naturais de maneira mais equilibrada.

O próprio penetrômetro ajudou a mostrar essa relação. Em sistemas como o plantio direto, a palhada e as raízes das culturas anteriores contribuem para a estrutura do solo, criando caminhos que favorecem a infiltração da água e o desenvolvimento das raízes.

Nesse contexto, a tecnologia não significa necessariamente fazer mais intervenções. Significa ter informação suficiente para saber quando agir e, também, quando não mexer no solo.

O drone que conecta dados e ação

O exemplo mais visível dessa agricultura conectada talvez tenha sido o drone de pulverização agrícola. Os estudantes conheceram como informações obtidas por georreferenciamento podem ser transformadas em mapas e utilizadas para orientar operações automatizadas. Em vez de simplesmente sobrevoar uma área, o equipamento pode seguir informações previamente definidas e realizar a aplicação com precisão. A tecnologia também reduz o pisoteio provocado pela circulação de máquinas terrestres dentro da lavoura.

Na prática, os estudantes puderam visualizar uma sequência que resume parte do funcionamento do agro tecnológico, como sensor que coleta a informação, GPS que localiza, software que organiza os dados e equipamento que executa a operação.

Ciência que desperta curiosidade

Para a professora Maria Luisa Mariano, que acompanhou os estudantes, o valor da experiência está justamente em apresentar um universo que muitos deles ainda não conhecem. “Esses passeios fazem com que eles vejam um mundo diferente, um mundo novo que eles têm aqui muito perto”, afirmou.

O contato com a instituição pode despertar curiosidade e abrir novas possibilidades para os jovens.

E a curiosidade apareceu durante a visita. Segundo Fred, muitos dos estudantes chegaram com expectativa, mas rapidamente deixaram de apenas observar para fazer perguntas e explorar o espaço. “Poucos ficaram sentados. Aqui não é sala de aula, e eles vieram para o campo e vieram perguntando”, conta. “É talvez aí que esteja o principal resultado do Portas Abertas. Transformar a pesquisa em experiência e a experiência em curiosidade.”

O pesquisador Frederico ressalta que ao apresentar sensores, drones, GPS e práticas de agricultura regenerativa, a APTA REGIONAL não apenas mostrou como o agro está mudando, mas mostrou aos jovens que existe um lugar para eles nessa transformação.

“O agro do futuro pode estar no campo, nos dados, na tecnologia e na ciência, mas, para continuar avançando, também precisa de uma nova geração disposta a conhecê-lo, reinventá-lo e fazer parte dele”, completa Frederico.