Drones superam 133 mil registros e aceleram digitalização
03-03-2026

Anuário ABDRONE 2026 aponta alta de 460% desde 2017

O mercado brasileiro de drones ultrapassou 133 mil aeronaves registradas no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas da Agência Nacional de Aviação Civil até fevereiro de 2026. O volume confirma a consolidação do segmento como um dos mais dinâmicos da economia digital, com impacto crescente sobre serviços tecnológicos e cadeias produtivas intensivas em inovação.

O marco regulatório em vigor desde 2017 estruturou o cadastro obrigatório e organizou juridicamente as operações civis no País. Naquele ano, havia cerca de 16,5 mil equipamentos registrados. Em 2022, o total chegou a 93.729, expansão superior a 460% no período, segundo dados consolidados no Anuário ABDRONE 2026.

A trajetória recente mantém o ritmo de crescimento. Entre 2024 e 2025, os registros avançaram acima de 20% ao ano, enquanto as solicitações de autorização de voo cresceram mais de 25%. O movimento indica não apenas ampliação da base instalada, mas também maior intensidade operacional.

Em 2022, 52.906 drones eram destinados a uso recreativo e 40.823 a aplicações profissionais, que já representavam cerca de 44% do total. A participação empresarial e governamental aumentou ao longo da década, refletindo a incorporação da tecnologia em processos produtivos e serviços públicos.

No agronegócio, a demanda se concentra em pulverização aérea e agricultura de precisão. Também há expansão em inspeções industriais, energia, infraestrutura, segurança pública, mapeamento técnico e produção audiovisual. A digitalização de cidades e a integração com inteligência artificial e conectividade 5G ampliam o escopo de aplicações.

O avanço do mercado tem efeitos sobre importação e distribuição de equipamentos, manutenção técnica, capacitação de operadores e desenvolvimento de softwares. Em 2024, as importações cresceram 24,1% em valor e mais de 115% em unidades, sinalizando fortalecimento da demanda doméstica.

O modelo regulatório brasileiro distribui competências entre órgãos responsáveis por registro, controle do espaço aéreo, homologação de equipamentos e regulação agrícola, o que, segundo agentes do setor, contribuiu para a formalização das operações e para a atração de investimentos. Em 2025, foi aberta consulta pública para atualização das regras, com proposta de abordagem baseada em risco operacional e desempenho, alinhada a práticas internacionais.

Para Pedro Curcio Jr., presidente da ABDRONE, o setor alcançou um novo estágio. "O mercado brasileiro atingiu um estágio estrutural. Falamos de uma base instalada robusta, operações cada vez mais profissionais e segurança jurídica para expansão de investimentos. Os drones passaram a integrar a infraestrutura tecnológica de diversos setores produtivos. Precisamos avançar com redução de impostos de importação, maior fomento a startups, fiscalização adequada e integração entre os poderes públicos. O drone é multifacetado e tem diversas possibilidades de uso e serviços", afirma.

Segundo ele, o próximo ciclo deve ser impulsionado por ganhos de produtividade, redução de custos operacionais e maior integração com tecnologias digitais. "A consolidação regulatória cria condições para uma nova etapa de expansão empresarial e geração de empregos qualificados", diz.