E32 pode zerar importações e ampliar demanda por etanol
05-05-2026
Decisão do Conselho Nacional de Política Energética deve sair nesta semana
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética neste mês. A proposta pode levar o Brasil à autossuficiência em gasolina, com eliminação das importações do combustível.
Com base em testes já realizados para o E30, a medida tem potencial de reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação. No curto prazo, a iniciativa também libera infraestrutura logística hoje voltada à entrada de gasolina, permitindo maior eficiência no abastecimento de outros produtos, como o diesel.
Mais demanda e ajuste de mercado
A ampliação da mistura deve gerar impacto direto no consumo de etanol anidro. Segundo Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil Etanol, o E32 pode ampliar em cerca de 850 milhões de litros por ano a demanda pelo biocombustível.
O avanço ocorre em um momento de aumento de produção, estimado em mais de 4 bilhões de litros na safra, considerando cana-de-açúcar e milho. Nesse contexto, a elevação da mistura funciona como mecanismo de absorção da oferta adicional, contribuindo para o equilíbrio do mercado.
A medida também tende a reduzir a volatilidade de preços ao longo do ciclo e melhorar as condições ao consumidor, ao mesmo tempo em que amplia a previsibilidade em um período de renovação de contratos de etanol anidro para a safra 2026/27.
Outro efeito esperado é o ganho de competitividade do etanol hidratado. Com maior participação do anidro na gasolina, a relação de consumo entre combustíveis se altera, ampliando a paridade além do patamar tradicional de 70%.
Além dos impactos econômicos, o E32 reforça o posicionamento do Brasil na agenda global de descarbonização e amplia o uso de fontes renováveis. A medida está alinhada ao programa Combustível do Futuro, que prevê o avanço gradual da mistura até cerca de 35%, e abre espaço para novas frentes, como o combustível sustentável de aviação e o bunker renovável.
Fonte: Canaoeste

