Embrapa leva inovação em carbono e digital à Agrishow 2026
23-04-2026

Tecnologias focam eficiência, bioeconomia e redução de custos

Andréia Vital

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apresenta na Agrishow 2026 um conjunto de tecnologias voltadas à sustentabilidade, bioeconomia e agricultura digital, com foco em eficiência produtiva e redução de riscos no campo. A feira ocorre até 1º de maio e reúne soluções que vão do controle biológico de pragas a plataformas de dados estratégicos.

Entre os lançamentos está a Plataforma Trigo no Brasil, desenvolvida pela Embrapa Territorial e lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A ferramenta reúne 12 painéis interativos organizados em seis eixos da cadeia produtiva, com mapas, análises e projeções. O sistema inclui estimativas inéditas sobre áreas irrigadas e de sequeiro, além de cenários para expansão da cultura no Brasil Central e redução de lacunas de produtividade.

Na agenda ambiental, estudos indicam saldo positivo de carbono em sistemas agrícolas. O projeto CarbCafé Rondônia aponta sequestro 2,3 vezes superior às emissões, com saldo médio de cerca de quatro toneladas por hectare ao ano. Já o CarbCitrus avaliou mais de 600 mil hectares em São Paulo e Minas Gerais, com remoção média de duas toneladas por hectare ao ano e estoque total estimado em 36 milhões de toneladas, além do registro de mais de 300 espécies de fauna.

No controle biológico, o guandu BRS Guatã surge como alternativa ao manejo de nematoides, responsáveis por perdas de cerca de R$ 35 bilhões ao ano. A leguminosa atua sobre cinco espécies de parasitas, reduz o uso de defensivos e contribui para a fixação de nitrogênio no solo. Em condições de sequeiro, pode produzir até três toneladas de massa seca por hectare, mantendo desempenho próximo ao irrigado e ampliando sua aplicação na pecuária.

Na agricultura digital, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático orienta o plantio com base em dados climáticos e tipos de solo, integrado ao aplicativo Plantio Certo. Outra frente é a AgroAPI, que disponibiliza dados e modelos da Embrapa por meio de APIs, permitindo integração com sistemas privados e desenvolvimento de soluções digitais com menor custo.

Em biotecnologia, o evento transgênico BTMAX, desenvolvido com a Helix, utiliza gene da bactéria Bacillus thuringiensis para controle da lagarta do cartucho e da broca da cana, com potencial de reduzir o uso de inseticidas. Já o bioativo Auras, criado com microrganismos da Caatinga, atua na mitigação de estresses hídrico e térmico, preservando o potencial produtivo das lavouras.

Também estão em destaque iniciativas como a Integração Lavoura Pecuária Floresta, voltada à recuperação de pastagens e sequestro de carbono, e o AgNest, ambiente de inovação que conecta empresas, pesquisadores e produtores no desenvolvimento de novas tecnologias.

O estande reúne ainda parcerias com empresas e instituições financeiras, incluindo projetos em biotecnologia, plataformas digitais e sistemas integrados de produção, reforçando o papel da cooperação público privada na difusão de tecnologias no agronegócio.