Entenda a relação entre o RenovaBio e o etanol
04-02-2026

Política Nacional de Biocombustíveis, mais conhecida como RenovaBio, está transformando o papel do etanol no mercado de energia. O programa, instituído pela Lei nº 13.576/2017, foi criado para cumprir os compromissos do Acordo de Paris e, além de promover a descarbonização e expandir a produção de biocombustíveis, o RenovaBio também assegura a previsibilidade para o mercado. 

Como o RenovaBio funciona?

RenovaBio conta com três eixos: 

1) Metas de descarbonização:

Anualmente, o governo estabelece metas de redução de emissões para as distribuidoras de combustíveis.

2) Certificação da produção de biocombustíveis:

Os produtores de biocombustíveis passam por uma auditoria, que mede notas de eficiência energético-ambiental. Quanto mais limpo o processo, mais alta é a nota, que é multiplicada pelo volume de biocombustível comercializado. Esta etapa também resulta na quantidade de CBIOs que determinado produtor poderá emitir e vender.

3) Crédito de descarbonização (CBIO): 

O CBIO é o ativo financeiro do programa. Cada CBIO equivale a uma tonelada de gás carbônico (CO2)  que deixou de ser emitida na atmosfera. São os CBIOs que garantem a previsibilidade do mercado, uma vez que as distribuidoras de combustíveis fósseis são obrigadas a adquirí-los. Além disso, os créditos podem ser comprados na bolsa de valores, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas, para que suas emissões de CO2 sejam neutralizadas e metas sejam cumpridas. 

Vantagens do RenovaBio

RenovaBio representa vantagens para diversos setores. Em relação ao meio ambiente, o programa é essencial para reduzir as emissões de gás carbônico, já que o etanol emite até 90% menos CO2 na atmosfera do que a gasolina. A redução da concentração de gases poluentes é essencial para conter os avanços do aquecimento global. 

Do ponto de vista econômico, o RenovaBio se destaca pelo CBIO, que permite uma nova fonte de renda para as usinas de biocombustíveis. Além disso, a previsibilidade do programa, garantida pelos créditos de descarbonização, dá a segurança necessária ao mercado para que sejam realizados mais investimentos no setor. Esses investimentos proporcionam maior desenvolvimento socioeconômico nas cidades onde as usinas estão localizadas. Além disso, o programa atrai investimentos de tecnologia e pesquisa para uma maior eficiência. 

Outro destaque é para a segurança energética, fazendo com que o Brasil fique menos dependente dos combustíveis fósseis, como o petróleo. Isso garante que o país seja menos afetado por crises internacionais que podem afetar o preço e a disponibilidade dos combustíveis

O RenovaBio permite o crescimento sustentável do país

RenovaBio e etanol

Ainda que o RenovaBio não seja direcionado para um único tipo de biocombustível, o protagonista do programa é o etanol. Isso acontece porque o etanol está presente na maior parte dos tanques no Brasil. Segundo o Relatório da Frota Circulante 2024, feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), os carros flex, que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com etanol, representam 76,2% da frota circulante brasileira. 

Além do abastecimento exclusivamente com etanol, este biocombustível também está presente na gasolina devido à mistura obrigatória de 30%. Esta porcentagem entrou em vigor em 1º de agosto de 2025, quando passou de 27% para 30%. O aumento  está dentro do que é permitido pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que permite o ajuste para até 35% de etanol. 

RenovaBio e o etanol são grandes aliados para que o Brasil cumpra os compromissos do Acordo de Paris, reduzindo a emissão de gases poluentes, e continue crescendo de maneira sustentável e eficiente. 

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Fonte: Siamig Bioenergia